Ministério Público de SP rejeita acordo de delação com ‘Beto Louco’ e ‘Primo’, principais alvos da Operação Carbono Oculto


Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, eram responsáveis por comandar o esquema do PCC no setor de combustíveis.
Montagem g1/Reprodução/Redes sociais/Polícia Civil
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) rejeitou a delação premiada discutida nos últimos meses com os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, principais alvos da Operação Carbono Oculto. A defesa foi comunicada sobre a negativa no fim da manhã.
O MP apura um esquema sofisticado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no mercado de combustíveis que seria comandado por “Beto Louco” e “Primo”.
Os dois estão foragidos desde agosto de 2025, mas em decorrência da Operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal no mesmo dia da Carbono Oculto. A defesa deles não foi localizada para comentar a decisão do MP.
O material apresentado às autoridades, segundo a defesa dos empresários, incluía documentos, mensagens de celular, gravações e comprovantes de pagamento que confirmariam uma propina de mais de R$ 400 milhões a políticos, magistrados e outras autoridades entre 2022 e 2024.
A GloboNews apurou que os investigadores envolvidos no caso entenderam que os empresários omitiram informações relevantes, sobre a atuação em esquemas de lavagem e conexões com Primeiro Comando da Capital (PCC), bem como detalhes do esquema e dinâmica de adulteração de combustíveis, além de terem se negado a oferecer detalhes sobre corrupção policial no estado.
Além disso, citados na delação já estavam com processos concluídos e não contribuíram com o andamento da investigação.
Tentativas de acordo
Os empresários tentavam firmar acordos de delação em diferentes esferas desde o ano passado. As primeiras recusas partiram da Procuradoria Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. Em São Paulo, Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva assinaram um termo de confidencialidade. Por envolver uma denúncia envolvendo um juiz, as negociações foram remetidas à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que assumiu a competência originária.
As conversas tiveram andamento no MP, mas ficaram travadas nos últimos meses. A GloboNews apurou que o material apresentado por “Beto Louco” e “Primo” não atenderam aos requisitos mínimos para a formalização da delação e não traziam novidades ao que a investigação havia indicado.
A negativa, no entanto, não impede que um novo acordo possa ser fechado durante o andamento do processo, caso exista interesse entre as partes.
Valores negociados
Durante a negociação, foi aventada a possibilidade de que os empresários estariam dispostos a pagar mais de R$ 1 bilhão em impostos sonegados, além de multas, mas investigadores afirmam que os valores sequer foram discutidos.
Antes da definição das quantias a serem devolvidas ao estado, seriam necessárias a definição sobre pena que os empresários cumpririam e também o regime.
Até o momento, os dois empresários não têm ordem de prisão expedida no âmbito da Operação Carbono Oculto e não foram denunciados pelo esquema revelado pelo MP.
Delação rejeitada no Piauí
Assim como aconteceu no Ministério Público de São Paulo, a proposta de colaboração foi rejeitada, em março deste ano, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Piauí.
O objetivo era o mesmo: ter mais informações e provas sobre a possível atuação de uma organização criminosa estruturada voltada à prática de fraudes no setor de combustíveis, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro provenientes dos crimes praticados.
Os empresários Mohamad Mourad e Roberto Augusto da Silva manifestaram interesse na celebração de acordo, alegando ter elementos que poderiam contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados, principalmente em relação à organização criminosa, e também assinaram um termo de confidencialidade com o Gaeco do Piauí.
Mas após a análise dos anexos com os conteúdos apresentados pelos investigados, os promotores entenderam que já possuíam as informações que foram apresentadas posteriormente por “Beto Louco” e “Primo”, e que o material entregue não acrescentaria detalhes relevantes ou indispensáveis para o avanço da investigação.
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