
Imagem do Metrô do Recife em fevereiro de 2026
Reprodução/TV Globo
O acordo entre o governo federal e o de Pernambuco para “estadualizar” a administração do Metrô do Recife, firmado em dezembro do ano passado, previa o envio de 11 trens para reforçar o sistema metroviário. No entanto, a remessa da frota, que já estava atrasada, deve ser reduzida para sete, após quatro das cinco locomotivas que viriam de Porto Alegre não serem aprovadas durante vistoria.
De acordo com Luiz Soares, presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), além da reprovação nas vistorias, há problemas envolvendo os outros seis trens, vindos de Belo Horizonte, que estariam sendo negociados com um ferro velho por um valor maior (saiba mais abaixo).
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O acordo foi fechado em dezembro do ano passado e inclui um aporte emergencial de R$ 150 milhões da União. Também há a expectativa de que o metrô seja concedido à iniciativa privada após a conclusão do processo.
Dos 11 trens que devem reforçar o sistema metroviário e seriam enviados de Belo Horizonte e Porto Alegre, seis deveriam ter chegado em janeiro. Em fevereiro, à TV Globo, a Secretaria Estadual de Mobilidade e Infraestrutura informou que o repasse das locomotivas estava relacionado a “fatores operacionais e logísticos” e que a aquisição desses trens é uma medida emergencial.
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Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), os trens do Rio Grande do Sul foram reprovados por causa do grau de degradação e dos custos para recuperação. O órgão informou ainda que eles devem chegar “em um segundo momento”, mas não especificou quando.
“Apenas um foi aprovado, pois já fez a revisão completa e está apto a operar. Os outros 4 trens foram reprovados, por conta do grau de degradação e dos custos para recuperação. Os demais trens que vão completar a frota virão em um segundo momento”, informou a CBTU.
O g1 perguntou a CBTU o prazo de entrega do único trem de Porto Alegre aprovado na vistoria, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Ainda de acordo com a CBTU, o cronograma de chegada dos trens de Belo Horizonte deve seguir o calendário de maio a setembro:
Um trem em maio de 2026;
Um trem em junho de 2026;
Um trem em julho de 2026;
Um trem em agosto de 2026;
Dois trens em setembro de 2026.
Questionamentos sobre a frota
Em entrevista ao g1, Luiz Soares afirmou que os trens de Belo Horizonte chegaram a ser negociados como sucata e que não são compatíveis com o sistema utilizado pelo Metrô do Recife, o que levaria a ter que fazer adaptações.
“Na realidade, os de BH estavam sendo vendidos para um ferro velho em Cuiabá por R$ 2 milhões, aproximadamente, e depois suspenderam a venda e estão vendendo agora por R$ 60 milhões, as três composições. E tem mais: não é compatível com o nosso sistema. (…) Tem um conjunto de coisas que ainda precisa fazer adaptação”, afirmou.
Ele também afirmou que os trens de Porto Alegre estavam fora de operação há anos e apresentam desgaste semelhante ao da frota atual do Recife. Segundo o sindicalista, parte das composições precisa de recuperação antes de entrar em funcionamento.
“Eles [os trens de Porto Alegre] não estavam em uso, não. Eles estavam lá, são trens que têm mais de 30 anos, igual o nosso. Alguns estão encostados e estão querendo se recuperar, na mesma situação de BH. BH talvez esteja pior, porque estava encostado lá, levando chuva, sol, e agora que estavam sendo vendidos para cá”, contou.
O g1 questionou a CBTU sobre as afirmações do Sindmetro a respeito do valor de venda dos trens de Belo Horizonte, das condições das composições e da necessidade de adaptações para a rede do Recife, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
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