Vídeo mostra Via Ápia, na Rocinha, transformada por pintura gigante para a Copa do Mundo


Vídeo mostra Via Ápia, na Rocinha, transformada por pintura gigante para a Copa do Mundo
A principal rua da Rocinha, na Zona Sul do Rio, ganhou novas cores para a Copa do Mundo de 2026 na última terça-feira (5). Um vídeo gravado com drone mostra a Via Ápia completamente tomada por pinturas em verde, amarelo, azul e branco. A obra foi feita por um mutirão que reuniu moradores, artistas e voluntários da comunidade.
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As imagens aéreas feitas pelo fotógrafo Igor Albuquerque chamaram atenção nas redes sociais pela dimensão da pintura, que atravessa boa parte da via principal da favela e resgata uma tradição que já foi comum em ruas de todo o país durante os mundiais de futebol.
“É surreal ver a Rocinha assim toda pintada. Eu sou morador do Vidigal, comunidade vizinha a Rocinha, e cresci com essa tradição de rua pintada. Ficou lindo”, disse o fotógrafo profissional.
“Favela não é violência, não é guerra. Favela é cor, é brilho, é tradição e é luz. E a Via Ápia transmite isso”, comentou Igor Germano, um dos organizadores do evento em suas redes sociais.
Vídeo mostra Via Ápia, na Rocinha, transformada por pintura gigante para a Copa do Mundo
Igor Albuquerque
O projeto foi realizado em parceria entre a Associação de Moradores da Rocinha e a empresa Tintas Coral. O desenho foi desenvolvido por dois crias da comunidade, os artistas Malu Vibe e Nobru Werneck.
Tradição de Copa
Morador do Vidigal, comunidade vizinha à Rocinha, o fotógrafo Igor Albuquerque também ficou encantado com o trabalho na comunidade mais famosa do Rio.
As imagens aéreas feitas por ele rapidamente bombaram na internet. Em menos de 24 horas, a postagem principal de Igor ultrapassou os 14 mil likes. Já uma outra foto aérea que ele publicou do local teve mais de 9 mil curtidas.
“É surreal ver a Rocinha assim”, comentou o fotógrafo.
Mais do que a estética, no entanto, Igor acredita que o que mais legal foi ver uma tradição antiga das Copas voltar a ocupar as ruas da comunidade. Morador do Vidigal, ele conta que cresceu acompanhando ruas pintadas e bandeirinhas espalhadas pelas comunidades da Zona Sul.
“Cara, é surreal. Eu sou morador do Vidigal, comunidade vizinha a Rocinha, e cresci com essa tradição de rua pintada”, lembrou.
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Segundo ele, a cultura das ruas decoradas perdeu força nos últimos anos, tanto pela mudança de gerações quanto pela relação mais distante dos torcedores com a seleção brasileira.
“Com o passar do tempo, foi se perdendo um pouco essa tradição, em ambas as partes (Rocinha e Vidigal). A seleção deu uma caída de rendimento e a mudança de gerações também atrapalhou”, analisou.
Ainda assim, o fotógrafo disse ter percebido um clima diferente na Rocinha durante a produção da pintura, principalmente entre crianças e adolescentes que acompanharam o trabalho dos artistas.
“Isso é interessante, pois observei de perto o quanto as crianças adolescentes ficaram impactados”, reforçou Igor.
“O que mais me chamou atenção além da arte, foi o clima. Mesmo com a expectativa na seleção não sendo das melhores, parece que deu um pouco de sobrevida na Rocinha”, disse.
Favela da Rocinha
Reprodução/TV Globo
Para Igor, a iniciativa pode ajudar a inspirar outras regiões do Rio a retomarem a tradição das ruas decoradas durante a Copa do Mundo.
“Essa tradição meio que foi morrendo. Então que essa pintura na Rocinha sirva também de exemplo pra motivar outros lugares a fazer também. Ainda falta um mês pra Copa. Dá tempo”, incentivou o fotógrafo.
Ele afirmou ainda que o Vidigal também deve ganhar decoração para o Mundial, embora em escala menor.
“Aqui no Vidigal vão fazer também, mas acho difícil de ter a mesma proporção da Rocinha”, disse.
Mais de 100 pessoas participaram
A transformação da Via Ápia em um corredor verde e amarelo mobilizou moradores, artistas e voluntários da Rocinha durante dias de trabalho.
Segundo o comunicador Igor Germano, um dos organizadores do projeto, a pintura exigiu uma grande operação coletiva para que a principal via da comunidade fosse completamente decorada antes da Copa do Mundo.
“Foram 30 horas de preparação. Mais de 132 litros de tinta. Uma operação que envolveu mais de 100 pessoas. A Via Ápia está linda. São 30 artistas pertencentes a favela, comandados por quem fez o projeto e pertence ao território”, disse Igor em uma postagem em suas redes.
Igor Germano, um dos organizadores do projeto, é apresentador do Rocinhacast
Reprodução redes sociais
Além dos artistas responsáveis pelos desenhos, moradores da comunidade também participaram diretamente da execução da pintura, muitas vezes durante a madrugada, para evitar impactos no movimento intenso da rua.
Para Igor Germano, o mutirão foi além da decoração para a Copa e ajudou a reforçar um sentimento de pertencimento dentro da comunidade.
“Uma megaoperação aconteceu aqui na Via Ápia. Sem nenhum tiro, mas com muita cor”, disse ele nas redes.
O organizador afirma que iniciativas como essa ajudam a apresentar uma imagem diferente da Rocinha, marcada pela arte, pela cultura e pela mobilização coletiva dos moradores.
“As pessoas têm um sentimento, mas não podemos esquecer que a gente vive aqui, que a gente muda esse território. São ações como essas que melhoram o dia e trazem atração e olhares do mundo todo para a maior favela da América Latina”, completou.
A expectativa dos organizadores é que a Via Ápia se transforme em um dos principais pontos de encontro da Rocinha durante os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026.
Vídeo mostra Via Ápia, na Rocinha, transformada por pintura gigante para a Copa do Mundo.
Igor Albuquerque
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