
‘Nasci de novo’: bombeiro tatua resgate de ilhados na enchente do RS em 2024
Um motorista sobrevivente da enchente de maio de 2024 no Vale do Taquari reencontrou, dois anos depois, a equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) que o resgatou. O momento emocionante foi possível após um relato feito durante uma blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Rosário do Sul, na BR-290.
Tudo começou de forma inesperada no mês passado, durante uma fiscalização de rotina. Ao ser abordado, o motorista Léo Alberto Kronbauer contou aos policiais que era um sobrevivente da enchente e que seu grande sonho era reencontrar a equipe que o socorreu.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
“Chamou a atenção que o Léo demonstrou muita sensibilidade e naturalmente foi falando que era da região onde tinha acontecido a enchente, que ele era um sobrevivente. Durante a conversa ele falou que ele tinha um grande sonho de reencontrar a equipe que socorreu ele”, disse o policial rodoviário federal Diovane Brabos.
Sensibilizado, o policial decidiu ajudar. Ele contatou um primo, o bombeiro voluntário Lucas Moura de Oliveira, que atuou na ajuda humanitária no Vale do Taquari. “Rapidamente a gente viu a foto do Léo e do bombeiro que tinha feito um resgate e, através dessa imagem, a gente conseguiu o contato da equipe do helicóptero que tinha feito o resgate”, explicou Lucas.
O reencontro e a tatuagem
Dias depois, o encontro aconteceu em Cruzeiro do Sul. Léo pôde abraçar e agradecer aos homens que salvaram sua vida.
“Parabéns por esse novo recomeço. Espero que sejam muito felizes. Vocês não sabem a importância que foi vocês virem tirar nós aquele dia. Muito obrigado”, disse Léo, emocionado.
Um dos momentos mais marcantes envolveu o piloto do Corpo de Bombeiros, Danubio Lisboa. Ele decidiu fazer uma tatuagem inspirada em um vídeo de uma operação de resgate, sem saber quem eram as pessoas na imagem. No reencontro, a surpresa: a pessoa retratada de costas era o próprio Léo.
“Não sabia quem era essa pessoa. E justamente peguei uma pessoa de costas para não aparecer, para não ser ninguém. E era o Léo que nos achou. Então foi um momento muito especial ele ter nos achado e ter encontrado essa pessoa que nós salvamos”, contou o piloto.
O dia do resgate
O salvamento ocorreu em maio de 2024, em Cruzeiro do Sul. O helicóptero da Companhia de Operações Aéreas do CBMRS pairou sobre o segundo andar de uma casa cercada pela enchente para resgatar 20 pessoas. Léo Alberto foi o último a embarcar.
“O nosso destino era incerto até essas pessoas chegarem. A gente não tinha nem a dignidade da gente mais. A gente olhava para baixo. E aí quando eles chegaram foi como se viesse uma luz”, relembrou Léo.
Para o soldado Marcelo Guilardi, do CBMRS, aquele dia também foi dramático. Enquanto salvava vidas no Vale do Taquari, sua própria casa estava debaixo d’água e sua família precisava de resgate em Eldorado do Sul. Mesmo assim, ele decidiu continuar trabalhando.
“O que eu quero fazer? Eu quero voar, porque no momento que eu estou salvando gente, eu não estou preocupado com o que está acontecendo. A gente operou no limite. A gente operou além do limite, na verdade. Superando todos os riscos, porque era necessário”, afirmou o soldado Guilardi. No total, a equipe daquele helicóptero resgatou 250 pessoas na região.
Recomeço
Lado a lado com seus heróis, Léo percorreu a região onde enfrentou a fúria do Rio Taquari. Ele convive com a dor de ter perdido os avós na mesma tragédia, mas também celebra a vida. Em setembro, ele e a esposa, a inspetora de qualidade Maria Helena Martins, aguardam a chegada dos gêmeos Mateus e Melissa.
“Agradecer pela vida do Léo, por ele ter sido salvo, por ele ter sido um guerreiro, por não ter desistido, para que hoje a gente possa tocar a nossa família com propósito”, disse Maria Helena.
O comandante da Divisão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros, Ingo Vieira Lüdke, ressaltou a importância desses momentos. “É uma satisfação poder encontrar aqueles com quem a gente teve uma história lá atrás. É um dos raros momentos que a gente tem essa possibilidade de poder abraçar quem a gente resgata.”
‘Nasci de novo’: bombeiro tatua resgate de ilhados na enchente do RS em 2024 e reencontra sobrevivente dois anos depois
Reprodução/RBS TV
VÍDEOS: Tudo sobre o RS
