O Mortirolo Pass, cravado na Lombardia, Itália, a 1.852 metros de altitude, é uma lenda no mundo do ciclismo e da engenharia viária. Com 33 curvas fechadas e trechos de 18% de inclinação, a estrada alpina é considerada um dos testes de resistência mais brutais de toda a Europa.
Como a engenharia resolveu o desafio de uma montanha tão vertical?
A construção original do Mortirolo não foi pensada para veículos modernos ou turismo, mas como uma rota militar estreita e rústica. Para vencer a parede vertical da montanha, a via foi projetada com curvas em cotovelo extremamente curtas (tornantis), que exigem do asfalto uma base sólida para não deslizar encosta abaixo.
A manutenção desta via exige asfalto de alta aderência, essencial para evitar derrapagens nas descidas. O Ministério de Infraestrutura da Itália monitora o recapeamento constante, já que o rigoroso inverno alpino causa rachaduras profundas na pavimentação a cada temporada.

Por que a inclinação do Mortirolo é temida por ciclistas profissionais?
A subida clássica, a partir da vila de Mazzo di Valtellina, apresenta um ganho de elevação de 1.300 metros em apenas 12,4 quilômetros. Isso resulta em uma inclinação média de 10,5%, mas com “paredes” que chegam a cruéis 18%, exigindo marchas levíssimas e um preparo físico de elite.
Para que você compreenda o nível de dificuldade desta subida em relação a outros clássicos do ciclismo mundial, elaboramos a comparação técnica abaixo:
| Subida Clássica | Inclinação Média | Trecho Mais Íngreme |
| Mortirolo Pass (Itália) | 10,5% | 18% (Subida contínua e punitiva) |
| Alpe d’Huez (França) | 8,1% | 13% (Curvas mais espaçadas) |
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O que a lenda de Marco Pantani representa para a montanha?
A fama global da estrada está eternamente ligada ao ciclista italiano Marco Pantani, que em 1994 “voou” montanha acima no Giro d’Italia. No quilômetro 8 da subida, um monumento em sua homenagem serve de inspiração (ou consolo) para os milhares de ciclistas amadores que tentam vencer o percurso anualmente.
Abaixo, listamos os dados técnicos que definem este colosso da Lombardia:
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Altitude do Topo: 1.852 metros.
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Quantidade de Curvas: 33 curvas numeradas.
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Vertente Mais Difícil: A partir de Mazzo di Valtellina.
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Período de Abertura: Sazonal (fechada durante o inverno por neve).
Quais os cuidados ao dirigir um carro no Mortirolo?
Se para as bicicletas é difícil, para carros maiores ou motorhomes, a estrada é um pesadelo logístico. A via é composta por uma única pista (single track) em grande parte de sua extensão. O cruzamento de dois veículos em sentidos opostos frequentemente exige que um deles dê marcha à ré até o ponto de recuo mais próximo.
Motoristas devem ter extrema habilidade com a embreagem e os freios para evitar o superaquecimento do sistema. A descida exige o uso constante do freio motor, uma regra básica de segurança nas estradas estreitas da Itália.
Para aprofundar seu roteiro na Itália, selecionamos o conteúdo do canal The Col Collective. No vídeo a seguir, o ciclista detalha visualmente a implacável e mítica subida do Passo del Mortirolo a partir de Mazzo, uma das rotas mais duras e respeitadas do ciclismo:
Por que a estrada se mantém rústica e isolada?
A beleza do Mortirolo Pass está no seu isolamento. Diferente de outros passos alpinos cheios de comércio, esta rota é ladeada por florestas densas e pastos silenciosos, sem a presença de grandes infraestruturas turísticas.
Para quem ama o ciclismo, conquistar esta montanha na Itália é um rito de passagem. É a prova física de que, às vezes, a engenharia mais simples é a que cria os desafios humanos mais inesquecíveis e respeitados do mundo.
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