Operação Compliance Zero: empresas suspensas em nova fase seriam utilizadas para lavagem de dinheiro

Ciro Nogueira é alvo da 5ª fase da operação Compliance Zero da PF
A nova fase da Operação Compliance Zero paralisou as atividades de quatro entidades que, segundo as investigações da Polícia Federal corroboradas pelo Ministério Público Federal, não operariam como empresas regulares, mas como extensões de uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro e corrupção.
O ministro André Mendonça destacou que a continuidade das atividades dessas empresas representa um risco concreto de persistência da lavagem de capitais.
Nesta 5ª fase, a operação mira Ciro Nogueira e primo de Daniel Vorcaro, Felipe Vorcaro.
🔎A PF investiga, na Operação Compliance Zero, um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
As provas surgiram a partir de diálogos interceptados entre Daniel Vorcaro e seu operador financeiro, Felipe Vorcaro. As mensagens detalham o funcionamento da chamada “parceria BRGD/CNLF”, na qual a empresa BRGD S.A. (da família Vorcaro) enviava recursos para a CNLF Empreendimentos (veículo patrimonial do senador).
A decisão do STF também foi fundamentada na discrepância entre o faturamento declarado, o volume de recursos movimentados e a estrutura operacional mínima ou inexistente dessas entidades, que serviam apenas para “interromper o ciclo delitivo” e ocultar o percurso do dinheiro.
Veja as empresas e o que diz a decisão do STF:
CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.
É Identificada como o veículo patrimonial central do núcleo vinculado ao senador Ciro Nogueira (PP). A empresa está inscrita na Receita Federal, mas a PF aponta a ausência de registro formal de qualquer empregado e o fato de sua sede oficial coincidir com o endereço de outra empresa da família do senador, a Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas Ltda.
A empresa é administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.
Foi a adquirente de 30% das ações da Green Investimentos por apenas R$ 1 milhão, apesar de o valor de mercado ser estimado em R$ 13 milhões. Além disso, servia como destinatária dos fluxos financeiros da BRGD S.A. na chamada “parceria BRGD/CNLF”, funcionando como instrumento de recepção e formalização de recursos ilícitos.
BRGD S.A.
Apontada como a fonte primária dos valores movimentados na engrenagem ilícita. Sediada em Nova Lima/MG, possui um capital social declarado de R$ 132 milhões
Tem como diretor formal Oscar Vorcaro, pai de Felipe Cançado Vorcaro.
A empresa era utilizada para viabilizar repasses mensais que variaram entre R$ 300 mil e R$ 500 mil em favor do senador. Diálogos interceptados mostram Felipe Vorcaro questionando Daniel sobre a continuidade desses pagamentos para o “pessoal que investiu na BRGD”, termo usado para dissimular os repasses ao parlamentar.
Green Investimentos S.A.
Atuava como o objeto societário para geração de dividendos e transferência indireta de riqueza ao núcleo político. Foi presidida por Felipe Cançado Vorcaro, que renunciou ao cargo apenas um dia após a deflagração da primeira fase da operação.
Detém 20% de participação na Trinity Energias Renováveis S.A.. A venda de 30% de suas próprias ações para a CNLF foi feita via “contrato de gaveta” (instrumento particular) para evitar a fiscalização regulatória e contornar restrições do acordo de acionistas da Trinity, garantindo que o lucro gerado pela Trinity chegasse à empresa ligada ao senador.
Green Energia FIP Multiestratégia
O elo formal originário das operações patrimoniais suspeitas. Trata-se de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) que detinha 100% das ações da Green Investimentos S.A..
Administrado pelo núcleo familiar de Daniel Vorcaro, foi a entidade alienante da fração de 30% transferida à CNLF com deságio (desconto) extremo. Dados enviados à CVM pela administradora do fundo indicavam que a carteira valia cerca de R$ 43,5 milhões, o que serviu de prova para demonstrar que a venda de uma parte dela por apenas R$ 1 milhão não tinha qualquer racionalidade econômica lícita.
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