
Quem acompanha o noticiário em Brasília com um mínimo de atenção sabia que era questão de tempo para que a polícia batesse à porta do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.
A dúvida era se ele iria ser pego pelas andanças (de jato, vale lembrar) com dono de bet ou dono de banco. O segundo caso avançou mais rápido.
Nas mensagens interceptadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master se refere a Ciro Nogueira como “amigo da vida”.
Pudera: nas novas investigações, a PF descobriu que Ciro emplacou no Senado uma emenda redigida pelos funcionários do “amigo da vida”. A emenda ampliou a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Ciro apresentou o texto que beneficiava o Banco Master do jeito que veio em 2024.
A mudança permitiu que o banco ampliasse os negócios sem que tivesse lastro para isso, provocando o que mais tarde se transformou no maior escândalo financeiro do país – até quebrar.
A medida, segundo o próprio Daniel Vorcaro, era “uma bomba atômica no mercado financeiro”. Ela ajudaria os bancos médios e diminuiria o poder dos grandes, avaliava.
Ciro, claro, não fez isso gratuitamente. A PF diz que não faltam indícios de que o senador tenha recebido uma série de vantagens com a amizade sincera e desinteressada com o banqueiro nanico que queria destronar os grandes. Nogueira chegou a usar um imóvel do parlamentar por meses sem pagar nada por isso.
Negócios à parte? Nem tanto.
A ação desta quinta-feira (7) da PF que mirou o senador deixa claro quem de fato faturou com o esquema. Esse escândalo está no colo da extrema-direita. E era questão de tempo para explodir.
