
Juíza morre após coleta de óvulos em clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes
“Eu levei minha filha na clínica e tirei minha filha do hospital morta. Eu nunca pensei que eu fosse escolher um caixão para a minha filha.” O relato é de Marilza Francisco, mãe da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, que morreu após complicações registradas depois de um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Marilza contou detalhes do atendimento prestado à filha desde a realização do procedimento na Clínica Invitro Reprodução Assistida, na manhã de segunda-feira (4), até a internação da magistrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade Mogi Mater.
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O caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental. A Polícia Civil investiga se a morte ocorreu por complicações médicas inerentes ao procedimento ou por eventual falha no atendimento.
Segundo a mãe, o velório de Mariana deve acontecer na Primeira Igreja Batista de Mogi das Cruzes, mas até a última atualização desta reportagem ainda não havia definição sobre o horário da cerimônia nem informações sobre o enterro.
“Eu não tenho pressa de jogar na terra a minha filha. Eu queria minha filha viva”, disse.
Sequência dos fatos
Segundo a mulher, Mariana decidiu congelar óvulos porque sonhava em ser mãe no futuro.
“Ela ficou com medo de envelhecer.ueria ter uma poupança. Na hora que tivesse a vida mais organizada, queria ter um filho”, afirmou.
De acordo com Marilza, a filha realizou a coleta de óvulos na manhã de segunda-feira. Após receber alta, voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores cerca de uma hora depois.
“Ela começou a uivar de dor, muita dor. Ela gritava. Foi um desespero, eu vi minha filha gritar, minha filha sofreu. Minha filha sofreu muito”, lamentou.
A mãe contou que ligou para a clínica e foi orientada a retornar imediatamente com a filha. Ao chegar ao local, Mariana percebeu um sangramento.
“Ela falou: ‘Mãe, eu fiz xixi’. Quando ela colocou a mão, era sangue”, disse.
Marilza afirmou que o médico responsável tentou conter a hemorragia ainda na clínica. Segundo a mãe, os médicos informaram que uma artéria no colo do útero havia se rompido durante o procedimento.
A mãe também afirmou que a filha perdeu cerca de dois litros de sangue, informação que teria sido repassada pela equipe médica.
A juíza Mariana Francisco Ferreira morreu após passar por procedimento em clínica de Mogi das Cruzes
Reprodução/Redes sociais
Transferência para hospital
Ainda segundo Marilza, Mariana foi levada para a Maternidade Mogi Mater no carro da própria mãe, acompanhada apenas por uma funcionária da clínica.
“Eles não ofereceram ambulância. Eu levei minha filha no meu carro”, afirmou.
A juíza deu entrada na unidade por volta das 17h de segunda-feira e foi encaminhada para a UTI. Marilza relatou que Mariana permaneceu consciente durante a internação e chegou a conversar com ela no hospital.
“Ela falou para mim: ‘De tarde você vem me buscar para a gente ir embora’”, contou.
Segundo a mãe, médicos identificaram anemia, necessidade de transfusão de sangue e uma lesão no rim da paciente.
Na terça-feira (5), Mariana passou por uma cirurgia. Horas antes do procedimento, Marilza afirmou ter pedido ao médico responsável que salvasse a filha. Na madrugada de quarta-feira (6), Mariana sofreu duas paradas cardiorrespiratórias. A morte foi confirmada às 6h03.
A mãe descreveu Mariana como uma filha “maravilhosa” e disse que ela sonhava em construir uma família.
“Ela sempre foi muito dedicada. A magistratura era o sonho dela. E ser mãe também”.
O que diz a clínica
Em nota, a Clínica Invitro Reprodução Assistida afirmou que a equipe médica adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência” e prestou atendimento emergencial à paciente.
Clínica afirma que adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência”
Alessandro Batata/TV Diário
A unidade informou ainda que Mariana foi encaminhada para um hospital com acompanhamento da equipe e do médico responsável pelo procedimento.
A clínica declarou também que “todo procedimento cirúrgico e médico possui riscos inerentes e intercorrências possíveis” e afirmou que atua dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis.
Segundo a nota, os profissionais estão colaborando com as autoridades para o esclarecimento do caso.
O que diz o Mogi Mater
O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou em nota que Mariana deu entrada na unidade na tarde de segunda-feira (4), levada pela mãe “por meios próprios”, com quadro de hemorragia aguda.
Segundo o hospital, a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A unidade afirmou ainda que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, na tentativa de estabilizar o quadro clínico.
De acordo com a nota, como Mariana não havia realizado procedimentos anteriores no hospital, o médico responsável pela clínica de reprodução assistida foi acionado para acompanhar o caso, incluindo a cirurgia realizada na terça-feira (5).
“Apesar de todos os esforços empregados pela equipe hospitalar, infelizmente ela veio a óbito no dia seguinte”, informou o hospital.
O Mogi Mater também manifestou solidariedade aos familiares e amigos da juíza.
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