Bloqueio de verbas do Cozinha Solidária paralisa distribuição de refeições gratuitas no RJ


Bloqueio de verbas do Cozinha Solidária paralisa distribuição de refeições gratuitas no RJ
O bloqueio de pagamentos do programa Cozinha Solidária, do governo federal, interrompeu a distribuição gratuita de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade social no Rio de Janeiro. ONGs que participavam da iniciativa afirmam que estão sem receber os repasses e tiveram que suspender as atividades.
Na ONG Comend, em Queimados, na Baixada Fluminense, o cenário mudou completamente. O fogão industrial, que antes funcionava diariamente para preparar centenas de marmitas, está parado. Panelas vazias e bancadas sem movimento tomaram o lugar da rotina intensa da cozinha.
A instituição distribuía cerca de 250 refeições gratuitas por dia para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
“Dá um aperto no coração. A gente fica triste, porque aqui era uma movimentação. Essa hora aqui, os cozinheiros estavam cozinhando, os projetos parceiros da gente estavam se preparando para vir pegar as refeições e levar para as crianças. Agora, nós estamos nessa situação”, afirmou Daniel Ribeiro dos Santos, fundador da ONG Comend.
A ONG fazia parte do programa Cozinha Solidária, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. A iniciativa era gerenciada pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano e previa a distribuição de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Bloqueio de verbas do Cozinha Solidária paralisa distribuição de refeições gratuitas no RJ
Reprodução/TV Globo
Segundo Daniel, os trabalhos foram suspensos no fim do ano passado por falta de pagamento. O edital previa 12 meses de prestação de serviço ao longo de 2025, mas ele afirma que a ONG recebeu apenas três meses de repasses.
“Nós conseguimos manter os trabalhos das entregas até dezembro do ano passado”, disse.
Além da ONG em Queimados, outras cozinhas solidárias do estado vinculadas ao programa também foram afetadas. Sem os recursos, milhares de refeições deixaram de ser distribuídas gratuitamente em diferentes cidades do Rio.
Em Belford Roxo, a cozinha coordenada por Marineide Camargo, diretora social do Instituto Estrela Azul, também interrompeu as atividades. Segundo ela, eram distribuídas, em média, 150 refeições por dia antes da suspensão dos pagamentos.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social confirmou que o repasse de verbas para o Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano foi bloqueado em maio do ano passado, após irregularidades encontradas na execução do programa. Informou ainda que a parceria foi encerrada em dezembro.
O ministério afirmou também que, entre janeiro e abril deste ano, técnicos analisaram a documentação apresentada pelas cozinhas solidárias, mas que muitos ajustes solicitados não foram realizados, o que estaria dificultando a autorização dos pagamentos.
A pasta disse ainda que, mesmo após o encerramento do prazo do convênio, vai autorizar o pagamento de despesas regularmente comprovadas.
Já o Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano informou que realizou, no fim do mês passado, uma reunião com representantes das cozinhas solidárias e que algumas instituições apresentaram documentação incorreta.
O instituto afirmou ainda que o convênio está em fase de prestação de contas e que todo recurso recebido do Ministério do Desenvolvimento que não tiver sido utilizado ou repassado às cozinhas será devolvido ao governo federal.
Segundo o instituto, o próprio ministério orientou que as cozinhas se regularizem para participar de um novo chamamento público.
Sem os repasses e com as cozinhas paradas, centenas de pessoas ficaram sem acesso diário a refeições gratuitas e de qualidade.
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