Alunos fazem protesto contra professor suspeito de estupro em SP

Manifestação contra professor acusado de estupro em São José dos Campos (SP)Reprodução/redes sociais

Uma denúncia de estupro envolvendo um professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, gerou uma série de manifestações na cidade e também nas redes sociais. Uma ex-aluna afirmou em uma publicação no Instagram ter sido abusada pelo professor.

Após o post viralizar, estudantes da universidade realizaram um protesto no campus da Avenida Engenheiro Francisco José Longo, no bairro Jardim São Dimas, na área central de São José.

Veja o vídeo da manifestação e, na sequência, o depoimento da ex-aluna Carolina Ferreira Santos denunciando o crime:

Os alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, realizaram uma manifestação após uma denúncia de estupro envolvendo um professor. pic.twitter.com/FQsTKxGCZC

— iG (@iG) May 7, 2026

Nas imagens, é possível ver diversos alunos com cartazes. As frases chamam a atenção e o caso ganhou ainda mais repercussão. Os jovens cobram da universidade medidas e que a instituição investigue a denúncia da ex-aluna.

A denúncia

Carolina Ferreira SantosRedes sociais

A vítima que denunciou o caso é Carolina Ferreira Santos, uma ex-aluna do curso de Odontologia da Unesp, de 22 anos.

Em uma postagem nas redes sociais, a jovem afirma que foi estuprada pelo docente logo no início do curso, em 2023.

Além disso, Carolina diz que sofreu ameaças e que ficou com a saúde comprometida, após o crime.

Após não conseguir mais continuar com a faculdade, por conta do ocorrido, a estudante decidiu trancar o curso.

Ainda nesta publicação, Carolina afirma que chegou a falar com a faculdade, mas que houve negligência por parte da instituição, que disse que nunca houve nada parecido.

Já vídeo foi publicado no dia 29 de abril. Com ele, Carolina recebeu o apoio de outras mulheres e, a partir disso, os estudantes da Unesp realizaram a manifestação.

O vídeo do depoimento da vítima já soma mais de 700 mil visualizações e, segundo a jovem, apareceram outras mulheres que foram vítimas do mesmo homem.

Investigação

A Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP) informou ao iG que abriu uma investigação para apurar o caso.

O crime foi registrado como violência doméstica, ameaça e estupro por meio da Delegacia da Mulher Online e foi encaminhado à DDM de São José dos Campos.

Ainda segundo a SSP, as diligências prosseguem para o esclarecimento dos fatos.

De acordo com o boletim de ocorrência obtido pelo iG, Carolina registrou o B.O. no dia 2 de maio, dois dias antes da manifestação.

O documento afirma que o professor ofereceu carona para levar a aluna para a rodoviária; porém, no caminho, o homem desviou da rota e usou a violência física para praticar o crime.

Ainda no B.O., a polícia afirma que Carolina e a mãe receberam ameaças após a denúncia nas redes sociais.

A investigação, segundo o documento, apura os crimes de estupro, violência psicológica e ameaça.

Em nota enviada ao iG, a defesa de Carolina agradeceu  o apoio recebido e afirmou que está tomando todas as medidas jurídicas urgentes e necessárias. Os advogados destacam que buscam “não apenas a apuração rigorosa dos fatos, mas a responsabilização exemplar do acusado”.

O que diz a Unesp

Em nota, a Unesp informou que afastou dois professores citados em denúncias, incluindo o docente do caso da Carolina.

Além disso, a Direção do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) abriu dois Processos de Investigação Preliminar para investigar os episódios que tiveram registro na Ouvidoria.

A Unesp ressaltou também que todos os casos devidamente registrados são apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente.

Por fim, a universidade diz que acompanha de perto as manifestações e repudia qualquer forma de assédio.

O que diz a defesa

No boletim de ocorrência de Carolina, o autor é apontado como Rodrigo Máximo de Araújo. De acordo com o site da Unesp, ele é responsável por pelo menos cinco disciplinas diferentes.

Em nota enviada ao iG, assinada pelo advogado Fábio Pereira do Nascimento, a defesa do professor nega todas as acusações que recaem sobre ele.

Além disso, a defesa afirma que vai “adotar todas as medidas cabíveis em observância  aos princípios que regem o Estado Democrático de Direito, notadamente o contraditório a ampla defesa”, oportunidade em que, segundo o advogado, será demonstrada a inocência do professor.

Ainda na nota, a defesa pede para que a imprensa e a sociedade aguardem a investigação e evitem julgamentos precipitados “que possam comprometer a honra e os direitos fundamentais do investigado”.

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