Pinhão engorda? Nutricionista ensina como encaixar na dieta a semente mais popular do Sul: ‘Um dos alimentos mais nutritivos que existe’


Pinhão engorda? Nutricionista comenta como incluir alimento na dieta
Pinhão engorda? Essa é uma dúvida comum relacionada à semente da araucária, que começou a ser consumida centenas de anos atrás pelos povos originários por ser capaz de sustentá-los nas épocas mais frias.
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Para entender a questão, o g1 conversou com a nutricionista Kassia Milena de Oliveira. Ela explicou que a resposta é sim e não. Tudo vai depender da quantidade consumida e do modo de preparo.
Atualmente, a semente se tornou um item cultural e, com a chegada do frio, começa a invadir mercados, mercearias e bancas de vendedores ambulantes.
A cena é comum no Sul do país, onde se concentra 70% da produção nacional do pinhão. O maior produtor da semente é o Paraná, responsável por mais de uma a cada três toneladas colhidas em todo o Brasil.
🔎 O pinhão é a semente da Araucaria angustifolia (pinheiro-brasileiro ou araucária), árvore nativa da Mata Atlântica. Consumido principalmente na região Sul do Brasil durante o inverno, o pinhão é retirado da pinha (fruto da araucária). A colheita só é permitida em períodos específicos, determinados por lei.
Nesta reportagem você vai conferir:
📊 Quais são os nutrientes do pinhão?
🍽️ O que a nutrição diz sobre o consumo do pinhão?
💪🏻 Como encaixar o pinhão na dieta com saúde?
🌲 A produção de pinhão em números
Pinhão é a semente da araucária
Gilson Abreu/SGAS
📊 Quais são os nutrientes do pinhão?
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realizou uma pesquisa para desenvolver uma tabela nutricional e entender a composição mineral da semente. O estudo foi desenvolvido em 2018 pela unidade especializada Embrapa Florestas com pinhões colhidos em Irati (PR), Três Barras (SC) e Passo Fundo (RS) e outros disponibilizados em um banco próprio. Confira:
Foram usadas amostras de pinhões in natura e cozido de forma separada, e os resultados indicam que há diferenças na composição dos dois porque, durante o cozimento, alguns elementos são concentrados, enquanto que outros são incorporados à água.
Tabela nutricional do pinhão – a cada 100g
A partir desses números, os pesquisadores destacaram os pontos positivos do ponto de vista nutricional. Citaram, também, situações específicas em que o consumo da semente pode contribuir:
RICO EM CALORIAS: o pinhão é um alimento rico em calorias, podendo ser utilizado no aporte calórico de trabalhadores braçais, atletas, crianças e adolescentes em fase de crescimento.
RICO EM FIBRAS: como é rico em fibras, o consumo de pinhão pode contribuir na prevenção de doenças intestinais e cardiovasculares, neste caso, pela redução do colesterol e dos triglicerídeos.
RICO EM POTÁSSIO: a semente também é rica em potássio, que mantém o equilíbrio ácido-base do organismo, evitando a hipertensão arterial, além de relaxar a musculatura.
“São encontrados ainda no pinhão os ácidos graxos linoléico (ômega 6) e oléico (ômega 9), compostos que contribuem para a redução do colesterol e prevenção de doenças cardiovasculares”, ressalta a Embrapa Florestas.
Composição mineral do pinhão – a cada 100g
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🍽️ O que a nutrição diz sobre o consumo do pinhão?
Considerando a quantidade de nutrientes e minerais presentes no pinhão, ele é um dos alimentos mais funcionais e nutritivos que existem. Essa é a análise da nutricionista Kassia Milena de Oliveira, que afirma que, para conseguir tudo que o pinhão oferece, seria necessário comer vários alimentos em conjunto.
Ela justifica que o alto valor calórico e nutritivo da semente se deve à “inteligência” da natureza, que oferece alimentos assim no inverno porque, no frio, o corpo precisa de mais energia.
Em contrapartida, explica a profissional, o pinhão também ajuda a dar mais saciedade do que outros alimentos calóricos.
Foto ilustrativa
Divulgação
“Ele também tem muitas fibras na composição, que a gente chama de ‘amido resistentes’. Elas demoram muito mais para digerir do que um pão, por exemplo, que teria o mesmo valor calórico. Com isso, o pinhão passa mais tempo no nosso intestino, e isso faz com que a gente aumente a nossa saciedade”.
A nutricionista também cita outros pontos positivos do pinhão:
Ácido pinolênico: só existe na semente e estimula o hormônio colecistoquinina, que ajuda na saciedade e na digestão; e o GLP-1, que aumenta a saciedade.
Zinco, cobre e um pouco de vitamina C: auxiliam a imunidade.
Pressão arterial: ajuda no controle devido à alta quantidade de potássio.
Combate a dores articulares: a grande concentração de magnésio contribui com pessoas que têm dores articulares, fibromialgia e até esquecimento.
Benefícios para a visão: a presença do antioxidante luteína ajuda a proteger o sistema ocular, principalmente no processo de envelhecimento.
“O pinhão é considerado uma oleaginosa; ele é da família das castanhas, então é rico em ômega-3 e ômega-9, e nenhum é alimento da família das castanhas tem um potencial tão grande de minerais, muito menos de amidos resistentes para o intestino”, conclui a nutricionista.
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💪🏻 Como encaixar o pinhão na dieta com saúde?
Nutricionista dá dicas para o consumo de pinhão
A nutricionista Kassia Milena de Oliveira explica que o valor calórico do pinhão representa um lanche ou a porção de carboidrato das refeições principais, em uma dieta de 1.200 calorias por dia.
Neste cenário, a quantidade considerada é de 100 gramas — o equivalente a um punhado, uma colher de servir e/ou 10 pinhões, dependendo do tamanho de cada semente.
O peso deve ser calculado considerando a casca. Para reduzir as calorias, o ideal é que ele seja cozido e comido sem nenhum adicional (como manteiga, bacon ou mandioca, por exemplo).
A nutricionista também explica que, como o pinhão tem o chamado “amido resistente”, ele não provoca picos de glicose (que dão fome) — então, pode ser usado para aumentar a saciedade entre uma refeição e outra
Consumo da semente da araucária é uma herança dos povos indígenas
Mauro Scharnik/IAT
“O horário ideal de consumir esse lanche seria nos intervalos de 2 a 3 horas após e antes de uma refeição. […] Ele pode ser consumido antes de um horário que você sentiria muita fome, justamente por conta do retardo do esvaziamento gástrico. Se você é o tipo de paciente que chega às 18h em casa com muita fome, querendo comer um grande volume de comida, às 15h, em média, seria o horário ideal, porque aí até o final do dia ele ainda estaria no sistema gastrointestinal, auxiliando nesse retardamento do esvaziamento gástrico”.
Em contrapartida, a profissional lembra que por mais que o pinhão tenha um alto índice de amido resistente e seja muito benéfico para as bactérias intestinais, ele também pode causar gases.
“Ele causa muito ‘pum’, só que tem como a gente reduzir isso. Os alimentos que causam isso têm os antinutrientes, que são os fitatos e os taninos. Para reduzi-los e até absorver melhor os outros minerais o ideal é deixar o pinhão de remolho de 8 a 12 horas antes do cozimento, e aí descarta essa água”, orienta a nutricionista.
🌲A produção de pinhão em números
Foto ilustrativa
NSC TV/ Reprodução
A última pesquisa consolidada do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção de pinhão é referente a 2024. Segundo o IBGE, naquele ano o país produziu quase 13,5 mil toneladas, sendo 35,4% apenas no Paraná — onde a colheita somou quase 9,5 toneladas.
Somando Santa Catarina e Rio Grande do Sul à conta, a região Sul representou 70% de toda a produção nacional.
De acordo com o IBGE, entre os outros estados que também produzem o alimento estão São Paulo e Minas Gerais. O ranking municipal foi liderado por uma cidade que leva o nome da semente: Pinhão, que fica na região central do Paraná e colheu 880 toneladas no ano.
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