
A Polícia Federal (PF) prendeu Maria Helena de Sousa Netto Costa e outras seis pessoas por serem suspeitas de integrar um grupo que enviava brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos. A investigada é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela, mãe de Iara Netto Vilela. Apesar disso, o casal não é investigado.
As prisões e buscas ocorreram na quinta-feira (07) em Goiás e no Amapá. A investigação da PF aponta que os grupos foram responsáveis pela entrada irregular de ao menos 477 brasileiros nos Estados Unidos entre 2018 e 2023. O número de vítimas pode ultrapassar 600 pessoas.
A operação Travessia cumpriu, além dos sete mandados de prisão preventiva, 11 de busca e apreensão. Dez buscas e todas as prisões ocorreram em Goiás. No Amapá, os agentes cumpriram um mandado de busca e pediram a inclusão de dois investigados na lista vermelha da Interpol.
Segundo a Polícia Federal, cinco organizações criminosas independentes atuavam dentro da mesma estrutura de migração ilegal. As investigações apontam que os grupos operavam desde meados dos anos 2000.
O nome de Maria Helena foi apontado em apuração da TV Anhanguera.
Rotas incluíam México e Panamá
De acordo com a PF, os investigados organizavam toda a viagem dos brasileiros até os Estados Unidos. Os passageiros saíam do Brasil em voos comerciais, passavam por países da América Central, principalmente México e Panamá, e seguiam até a fronteira terrestre estadunidense.
A investigação aponta que os grupos mantinham integrantes fora do país para receber os migrantes, organizar trajetos e intermediar pagamentos. A estimativa é que, somados, eles tenham movimentado R$ 240 milhões entre 2018 e 2023.
A Polícia Federal também identificou uso de empresas de fachada, laranjas e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos movimentados pelos grupos.
Maria Helena de Sousa Netto Costa é tratada pela investigação como suspeita de integrar uma das organizações investigadas.
Os investigados podem responder por promoção de migração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro, segundo a PF.
O iG não conseguiu contato com a defesa de Maria Helena de Sousa Netto Costa. A assessoria de comunicação do Governno de Goiás também foi procurada. O espaço segue aberto para ambos.
