
Caso Master: Mendonça determina que irmão de Ciro Nogueira use tornozeleira eletrônica
O empresário Raimundo Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), está sendo monitorado através de tornozeleira eletrônica. O equipamento foi instalado na Central de Monitoramento Eletrônico da Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus-PI), em Teresina, na tarde de quinta-feira (7) dentro do prazo estipulado de 24 horas. A informação foi confirmada pela Sejus.
As medidas cautelares foram determinadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda proíbem o empresário de: sair da cidade onde mora sem autorização judicial e manter contato com testemunhas e outros investigados pela Operação Compliance Zero, o que inclui o irmão Ciro. O passaporte de Raimundo deve ser entregue à Polícia Federal (PF) em até 48 horas.
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O senador Ciro Nogueira e o empresário Raimundo Nogueira forma alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o Banco Master.
🔎 O nome da operação é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade envolvendo a atuação do parlamentar e criticou as medidas adotadas no âmbito das investigações. Os advogados afirmaram que o senador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos (leia a íntegra do comunicado). A defesa de Raimundo Nogueira não foi localizada.
Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador Ciro Nogueira (Progressistas)
Reprodução/Instagram
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Papel nas investigações
De acordo com a Polícia Federal, Raimundo Nogueira é administrador da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. Segundo os investigadores, a empresa seria usada como um “mecanismo dissimulado” para repassar vantagens financeiras ao senador Ciro Nogueira.
A decisão cita um negócio considerado suspeito: a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF. A operação foi fechada por R$ 1 milhão, apesar de as ações valerem cerca de R$ 13 milhões no mercado.
Para o STF, a diferença de valores é um indício de que a transação pode ter sido usada para esconder repasses ilegais.
Entenda o caso
PF diz que Ciro Nogueira recebia R$ 500 mil por mês de Vorcaro, além de viagens e despesas
A investigação indica que o senador Ciro Nogueira teria recebido vantagens financeiras em troca de favorecer interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. Um dos exemplos citados é a apresentação de uma emenda parlamentar que beneficiaria diretamente o Banco Master.
Segundo a investigação, os repasses mensais ao senador poderiam chegar a R$ 500 mil. Ele também teria utilizado imóveis de luxo, cartões de crédito e viagens internacionais pagos pelo grupo investigado.
Para o ministro Mendonça, as medidas são necessárias para interromper a lavagem de dinheiro e evitar a destruição de provas.
Suspensão de empresas
O ministro André Mendonça também mandou suspender imediatamente as atividades de quatro empresas ligadas ao caso. Segundo o relatório da Polícia Federal, elas eram usadas para movimentar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.
No caso da CNLF, a polícia afirma que a empresa não tem funcionários registrados e funciona no mesmo endereço de outra firma da família Nogueira.
Nota da defesa de Ciro Nogueira:
A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.
Antônio Carlos de Almeida Castro – Kakay
Roberta Castro Queiroz
Marcelo Turbay
Liliane de Carvalho
Álvaro Chaves
Ananda França
Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados
ASSESSORIA JURÍDICA
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