Eleição para o Senado é sempre imprevisível e foi assim nos últimos pleitos. Mas a de 2026 está desafiando a capacidade de advinhação dos analistas políticos. Em 2022, os eleitores brasileiros replicaram a escolha que fizeram para a presidência da República na hora de marcar seu candidato para a Câmara Alta. Em São Paulo, por exemplo, o astronauta Marcos Pontes aparecia nas pesquisas em quarto lugar, mas acabou sendo eleito. Como era o candidato alinhado com Jair Bolsonaro (que liderou as urnas paulistas), venceu a disputa.
Isso se repetirá em 2026? Espera-se que Flávio Bolsonaro vença no estado de São Paulo. Na pesquisa Quaest desta semana, por exemplo, o senador carioca lidera a disputa regional no primeiro turno por 34% contra 31% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso seria suficiente para eleger os dois senadores alinhados com o conservadorismo. Mas é o que vai acontecer?
Na chapa anunciada pelo governador Tarcísio de Freitas, seus dois postulantes ao Senado são Guilherme Derrite e André do Prado. Só que também existe a candidatura do deputado Ricardo Salles, que está determinado a concorrer. Com três nomes dividindo os votos conservadores, a direita corre o risco de não eleger ninguém e entregar a representação no Senado à esquerda.
Há também três candidatos no front esquerdista: Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França. Mas há, aqui, mais jogo de cintura. Enquanto Marina e Simone não aceitam outra missão que não a corrida à Câmara Alta, Márcio França já disse que aceita ser suplente ou candidato a vice-governador. Ou seja, a chance de termos apenas dois nomes fortes do lado da esquerda é alta.
Essa possibilidade vai motivar os dirigentes partidários a tentar convencer Salles a se retirar da disputa. Mas será uma tarefa difícil: ele já chamou Prado de “filhote de Valdemar”, referindo-se ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto. E recebeu críticas fortíssimas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está morando nos Estados Unidos.
Se esse padrão se repetir em outras unidades da federação, o projeto da direita de construir uma maioria expressiva na Câmara Alta pode enfrentar obstáculos relevantes. A eleição para o Senado depende de coordenação, disciplina partidária e capacidade de reduzir conflitos internos, algo que nem sempre ocorre em disputas estaduais marcadas por rivalidades locais. Mesmo em estados nos quais o conservadorismo é majoritário, a multiplicação de candidaturas competitivas pode transformar vitórias consideradas prováveis em derrotas inesperadas.
Esse risco deve pressionar lideranças nacionais a intervir com mais força nas articulações regionais, tentando evitar que a divisão comprometa um objetivo estratégico mais amplo. A dificuldade é que cada estado tem sua própria dinâmica e acordos costurados de cima para baixo nem sempre são aceitos pelas bases locais. Ainda assim, a necessidade de evitar dispersão de votos deve colocar o tema no centro das negociações partidárias ao longo dos próximos meses.
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