Hantavírus: conheça doença que causou surto em navio e é monitorada pela OMS


OMS e países rastreiam origem de surto de hantavírus
O hantavírus, identificado em ao menos cinco pessoas a bordo do navio que saiu da Argentina em direção a Cabo Verde, causa uma doença chamada hantavirose. Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
De acordo com informações do Ministério da Saúde brasileiro, a infecção em humanos pode levar a um comprometimento cardíaco.
👉Entre os principais sintomas da doença estão:
Fadiga
Febre
Dores musculares
Dores de cabeça
Tonturas
Calafrios
Problemas abdominais
Em quadros mais graves, pode levar a problemas pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
Como o hantavírus é transmitido?
Os hantavírus ficam em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. O vírus pode passar para humanos também das seguintes formas:
Corte na pele causado por roedores;
Contato do vírus com mucosa (olhos, boca ou nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
Transmissão pessoa a pessoa, relatada na Argentina e Chile, associada ao hantavírus Andes.
Tratamento da doença
Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. De forma geral, há o combate do sintomas, com medicamentos administrado por um médico especializado, segundo a gravidade de cada caso.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, por se tratar de uma doença com transmissão respiratória, profissionais que possam estar expostos devem utilizar equipamentos de proteção individual como luvas, máscaras e óculos de proteção.
O CDC, dos EUA, recomenda cuidados para tratar os sintomas, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise.
Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.
Cinco casos confirmados no navio
Cinco dos oito casos suspeitos de hantavírus foram confirmados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três pessoas que estavam a bordo morreram. A OMS não especificou quais foram os casos confirmados da doença.
No início da semana, o órgão havia divulgado o primeiro caso positivo era de um cidadão britânico de 69 anos que estava entre os passageiros. Ele foi encaminhado para uma UTI em Joanesburgo, na África do Sul. O segundo caso confirmado foi de uma mulher alemã que morreu no cruzeiro.
➡️O navio saiu da Argentina no início de abril, e, dias depois, um passageiro morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também morreu. A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode ser um voo em Joanesburgo, na África do Sul.
“A ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7).
Ele ainda disse que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e alertou que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus.
A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, também reforçou que se trata de uma situação totalmente diferente do coronavírus e que não se trata de uma nova epidemia.
“Isso não é o começo de uma nova pandemia de Covid-19, é um surto que aconteceu em um navio. Há uma área confinada, com cinco casos confirmados. […] O vírus não se espalha da mesma forma, na maioria das vezes o hantavírus nem é transmitido de pessoa para pessoa”, ressalta.
Um especialista da OMS está a bordo do navio e vai acompanhar os passageiros até a chegada em Tenerife, ilha na Espanha.
O órgão também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena:
Canadá
Dinamarca
Alemanha
Holanda
Nova Zelândia
São Cristóvão e Nevis
Singapura
Suécia
Suíça
Turquia
Reino Unido
Estados Unidos
A OMS notificou os países de origem dos passageiros para que os possíveis casos possam ser monitorados.
Retrospecto dos casos
O diretor da OMS detalhou a situação de cada um dos casos suspeitos de hantavírus ao longo da coletiva:
Primeiro caso
O primeiro caso foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Nenhuma amostra foi coletada e, como seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias, a infecção por hantavírus foi descartada.
Segundo caso
A esposa do homem desembarcou quando o navio atracou na ilha de Santa Helena e também apresentou sintomas. Seu estado de saúde piorou durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril e ela faleceu no dia seguinte. Amostras foram coletadas, testadas no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e confirmadas como hantavírus.
Terceiro caso
A terceira morte foi a de uma mulher a bordo do navio que desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. A passageira, de origem alemã, também teve a doença confirmada.
Quarto caso
Outro homem procurou o médico do navio em 24 de abril. Ele foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril, onde permanece em terapia intensiva. O britânico foi o primeiro caso de hantavírus confirmado no navio.
Quinto, sexto e sétimo casos
Duas pessoas estão em condição estável no hospital, e uma é assintomática e já se encontra na Alemanha.
Oitavo caso
O oitavo caso foi o de um homem que desembarcou em Santa Helena.
Suspeitas fora do navio
Pacientes na França, Holanda e em Singapura que não estiveram no cruzeiro MV Hondius, infectado com o hantavírus, estão sob investigação por suspeita da doença, segundo anunciaram os governos dos três países também nesta quinta-feira.
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São as primeiras suspeitas em pessoas que não estiveram no cruzeiro, onde o surto foi registrado.
Além deles, há outros pacientes com suspeita do vírus:
O governo da Singapura diz que duas pessoas foram isoladas. Elas estavam no voo com a viúva da primeira vítima morta no cruzeiro, segundo autoridades locais;
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM que teve contato com a viúva foi internada em um hospital em Amsterdã após apresentar possíveis sintomas de infecção por hantavírus; as autoridades sanitárias holandesas entraram em contato com todas as pessoas que também estavam no voo, segundo comunicado da KLM.
O jornal “The New York Times” afirmou também que três estados dos Estados Unidos — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos do hantavírus;
Um cidadão francês esteve em contato com uma pessoa que contraiu o vírus, mas atualmente não apresenta sintomas e está sendo monitorado, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que a OMS está “trabalhando com países relevantes” para tentar rastrear o vírus.
“De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada”, declarou o diretor-geral da OMS.
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Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus.
AFP
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