Memorial do Bordado em BH reúne 13 mil peças históricas e busca espaço para preservar acervo único


Maria do Carmo Guimarães Pereira, fundadora do Memorial do Bordado de Belo Horizonte.
Edmilson Vieira
Há mais de 40 anos, a pesquisadora Maria do Carmo Guimarães Pereira abriu uma escola de costura em Belo Horizonte e percebeu a necessidade de ter diferentes tipos de bordados para mostrar para as alunas. Assim, foi reunindo material, até que em 2014 já tinha 48 malas cheias de peças bordadas.
Naquele mesmo ano, ela juntou outras mulheres, abriu a Associação pela Preservação da Arte do Bordado (APAB) e fundou o Memorial do Bordado. Hoje o espaço reúne um acervo de aproximadamente 13 mil peças, muitas doadas por mulheres ao longo de décadas e outra garimpadas e arrematadas em leilões.
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A coleção inclui itens que atravessam gerações, incluindo enxovais de bebê e de casamento, roupas de batismo, roupas íntimas, toalhas, peças litúrgicas e até vestidos de noiva, alguns datados do século XIX.
Cada peça que chega ao memorial é catalogada. As doações, normalmente, são acompanhadas por cartas que registram a origem e memórias íntimas e coletivas relacionadas aos objetos bordados, transformando o espaço em um registro vivo da cultura e da identidade das mulheres.
Os tecidos passam por higienização e, quando necessário, restauração realizada por bordadeiras da Associação pela Preservação da Arte do Bordado.
Referência em ensino e pesquisa sobre bordado
Hoje o Memorial é considerado uma referência em ensino e pesquisa ligados ao bordado, mas o acervo precisa de um espaço maior e mais adequado a preservação das peças. De acordo com Maria do Carmo, o Memorial precisa de um patrocínio ou de incentivos de lei para continuar existindo.
“A gente tem peça de 1838, (um mostruário de motivos de bordado). Ela está bem guardada, na medida que a gente pode, mas ela não está no lugar adequado. Ela não podia estar no lugar assim. Tinha que estar no lugar refrigerado, no lugar com iluminação adequada. Isso é que é a nossa luta
. Nós precisamos de um espaço maior. Porque o Memorial do Bordado é uma história de família. É a história de vó, de mãe, de um saber fazer que transitou entre gerações, disse Maria do Carmo.
Doações e visitação
O Memorial do Bordado recebe doações e pode ser visitado. A sede fica na Rua Ouro Fino, número 395, sala 603, no bairro Cruzeiro, em Belo Horizonte. Para enviar uma doação e agendar uma visita é preciso ligar para o telefone (31) 3223-7648.
Mulheres restauram bordados no Memorial do Bordado, em Belo Horizonte.
Edmilson Vieira
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