Cada R$ 1 bilhão exportado aos EUA gera 24 mil empregos no Brasil, aponta CNI

BRASIL E ESTADOS UNIDOS

A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos tem ampliado seu peso sobre emprego, renda e atividade industrial no país em um momento de reorganização das cadeias globais de produção e de maior disputa internacional por tecnologia, energia e segurança econômica.

Um levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, a cada R$ 1 bilhão exportado pelo Brasil ao mercado americano, são gerados cerca de 24,3 mil empregos na economia brasileira. O mesmo volume de exportações movimenta R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Os dados reforçam a relevância da relação bilateral para a indústria de transformação brasileira, especialmente em setores ligados a produtos de maior intensidade tecnológica e maior valor agregado. Os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações da indústria de transformação do Brasil e principal investidor estrangeiro no país.

Indústria de transformação é destaque

Mais de 80% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão concentradas na indústria de transformação, evidenciando o grau de integração produtiva entre as duas economias. O impacto se espalha por diferentes segmentos da cadeia produtiva, incluindo logística, serviços, infraestrutura e fornecedores industriais.

A discussão ganha espaço em um cenário de mudanças estruturais no comércio internacional. O avanço de políticas de reshoring e friendshoring nos Estados Unidos, aliado ao aumento das tensões comerciais e tecnológicas entre EUA e China, vem estimulando governos e empresas a priorizarem cadeias produtivas mais resilientes, segurança energética e capacidade industrial doméstica.

Minerais críticos, infraestrutura, transição energética, tecnologia e digitalização industrial

Nesse contexto, setores como minerais críticos, infraestrutura, transição energética, tecnologia e digitalização industrial passaram a ocupar posição central nas estratégias de investimento e competitividade das grandes economias.

O Brasil voltou a ser observado nesse cenário por reunir ativos considerados relevantes para esse novo ciclo econômico, como disponibilidade de energia, presença no agronegócio, reservas minerais e potencial de expansão industrial em segmentos ligados à economia verde e infraestrutura.

Discussão no centro do Brasil-U.S. Industry Day

A discussão sobre o fortalecimento da integração produtiva entre Brasil e Estados Unidos estará no centro do Brasil-U.S. Industry Day, promovido pela CNI durante a Brazilian Week, em Nova York. O encontro reunirá empresários, investidores e autoridades dos dois países para debater investimentos, competitividade industrial e cooperação econômica de longo prazo.

Em um ambiente global marcado por maior fragmentação econômica e competição por cadeias produtivas estratégicas, a relação entre Brasil e Estados Unidos passou a ter impacto não apenas sobre o fluxo comercial bilateral, mas também sobre emprego, renda e capacidade de crescimento da economia brasileira.

*Este conteúdo integra a cobertura especial da BM&C News durante a Brazilian Week 2026, em Nova York. Uma agenda dedicada a discutir o papel do Brasil no novo ciclo de capital global.

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