Putin critica Otan e usa Dia da Vitória para defender a guerra

Presidente da Rússia Vladimir PutinKremlin/Presidência da Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou neste sábado (09), que o exército russo enfrenta na Ucrânia uma “força agressiva” apoiada pela Otan. A declaração aconteceu no tradicional discurso do Dia da Vitória, celebrado em Moscou, data que marca os 81 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Na presença de centena de militares reunidos na Praça Vermelha, Putin voltou a defender a ofensiva militar na Ucrânia e exaltou os soldados do país envolvidos no conflito.

Segundo ele, os militares russos estariam combatendo as forças armadas e apoiadas pelos países da Otan. O político também afirmou que acredita que a Rússia sairá vitoriosa da guerra.

Celebração discreta e com esquema reforçado de segurança

A cerimônia deste ano aconteceu em formato mais discreto e com forte segurança. O evento ocorreu após a entrada em vigor de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia, anunciada ontem (08) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O cessar-fogo permitiu um desfile mais tranquilo, sem temor de ataques de drones ucranianos em uma das datas mais simbólicas para o governo russo.

Diferente dos outros anos, o desfile militar foi mais rápido, durando cerca de 45 minutos e com menos atrações do que em anos anteriores. Desta vez, não houve exibição de armamentos pesados, nem participação de escolas militares e de cadetes.

A presença de líderes estrangeiros também foi reduzida. Compareceram aliados mais próximos, como representantes de Belarus, Cazaquistão, Laos, Malásia e Eslováquia.

Na TV estatal russa, soldados da Coreia do Norte apareceram nas comemorações. Em 2025, militares norte-coreanos ajudaram Moscou a expulsar tropas ucranianas da região russa de Kursk.

No centro da capital, a internet móvel foi interrompida e diversas ruas ficaram praticamente vazias, sob rígidas medidas de segurança.

Trégua reacende expectativa de acordo

O acordo temporário de cessar-fogo, de três dias, anunciado por Trump, vem após duas tentativas frustradas de uma trégua entre Rússia e Ucrânia. A negociação estabelecida também prevê a troca de mil prisioneiros de cada lado.

Em publicação nas redes sociais, o presidente americano afirmou esperar que o acordo represente “o começo do fim” da guerra entre os países.

O presidente da Ucrânia, Volodymir Zelenski, aceitou a trégua e disse ter orientado as forças ucranianas a não realizarem ataques durante o desfile em Moscou.

A Rússia também confirmou a aceitação do cessar-fogo e o acordo da troca de presos.

A guerra entre Rússia e Ucrânia já dura mais de quatro anos. Atualmente, os russos controlam cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

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