O Dia das Mães entre o Brasil e o Japão, sentimentos que superam

No Japão, no dia das mães, nada de reunião familiarImagem gerada por IA

O segundo domingo de maio é tradicionalmente um dia de mesas fartas e reuniões familiares para celebrar o Dia das Mães. No entanto, do outro lado do mundo, no Japão, a comemoração dessa data ganha contornos bem atípicos.

Diferente do Brasil, onde o comércio investe em grandes campanhas publicitárias, nas lojas e mercados japoneses o movimento é discreto. No país, a data é vista como um momento de agradecimento pessoal. A expressão mais comum é “itsumo arigatou”, uma forma de dizer “obrigado por tudo sempre”. Na cultura local, a celebração raramente envolve grandes festas, abraços calorosos ou a entrega formal de presentes. Além disso, o cumprimento é restrito, os parabéns é direcionado apenas à própria mãe, sem o costume de parabenizar todas as mulheres que exercem a maternidade.

O desafio da distância

Devido à distância, a filha de Lillya já não a enxergava como mãeArquivo pessoal

Para a comunidade brasileira que vive no Japão, a data carrega um misto de gratidão e nostalgia. A distância impede o abraço físico, fazendo das redes sociais e das chamadas de vídeo a principal ponte para matar a saudade.

A trajetória de Lilly Fraga ilustra bem esse sentimento. Morando no Japão há dez anos, o plano inicial de Lilly era retornar ao Brasil em dois anos para buscar a filha. Contudo, a perda de seu pai e o receio de afastar a neta da avó acabaram adiando o retorno, com o tempo, a distância pesou.

“Houve um período em que minha filha não me reconhecia mais como mãe. Quando voltei no ano passado para visitá-las, senti que precisei me reapresentar após tanto tempo longe”, relata Lilly, que chegou a enfrentar a depressão devido ao isolamento e à saudade da família.

Vivendo entre duas culturas

Patricia e seus filhos, todos nascidos e criados no JapãoArquivo pessoal

Para os brasileiros que criam seus filhos no Japão, a adaptação cultural é essencial. Mãe de três jovens nascidos e criados na província de Aichi , Victor, de 24 anos, Davi, de 20, e Murilo, de 18, Patrícia Sasaki entende que as demonstrações de afeto dos filhos seguem um ritmo próprio. Hoje, ela recebe as felicitações por mensagens de texto e lida com naturalidade com a ausência de grandes comemorações.

“Quando moravam comigo, saíamos para almoçar ou jantar. Hoje, trocamos mensagens. Eu valorizo o carinho e a atenção, mais do que o presente em si”, explica Patrícia.

O filho Davi, por exemplo, enviou uma mensagem que resume o sentimento de muitos jovens que crescem nesse contexto: “Bom dia, mãe. Só queria te dizer feliz Dia das Mães! Te amo muito. Você é o coração da nossa família. Sua preocupação diária e suas mensagens nos fazem sentir perto de você, mesmo longe. Se cuida!”.

Independentemente do costume local ou da quilometragem que separa as famílias, o essencial é não deixar o dia passar em branco. Seja com um banquete, um presente ou um simples “eu te amo” enviado por mensagem, o importante é homenagear aquela que oferece amor incondicional, afinal, mãe é presença, mesmo que à distância.

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