Passageiros de navio com surto de hantavírus iniciam desembarque

Assim que deixarem o navio, os passageiros seguirão em voos de repatriação organizados por seus paísesReprodução

Os passageiros e parte da tripulação do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, chegou neste domingo (10) às Ilhas Canárias, na Espanha, para retirada das pessoas.

O desembarque, que contou com o acompanhamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), começou por volta das 5h30 da manhã (horário de Brasília).

Assim que deixarem o navio, os passageiros seguirão em voos de repatriação organizados por seus países, mas antes disso, a operação prevê que:

– os passageiros sejam examinados a bordo; – o Exército espanhol os transfira para terra firme em uma embarcação menor; – sigam em ônibus isolado da população local, até o aeroporto de Tenerife Sul.

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O que se sabe sobre o desembarque?

– Os primeiros desembarcados foram 14 espanhóis que serão levados para um hospital de Madrid, onde ficarão em quarentena;

– Neste domingo (10) está previsto o desembarque de diversas nacionalidades como cidadãos de Canadá, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos;

– O último voo de repatriação deverá decolar na segunda-feira (11) à tarde, com destino à Austrália;

– Continuarão no navio os 43 membros da tripulação, que seguirão viagem na segunda-feira até a Holanda, país responsável pelo MV Hondius, ficando sob isolamento por 42 dias.

As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters.

Sem contato

Segundo o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, o mecanismo de desembarque foi montado para impedir o contato dos passageiros do navio com a população civil.

A operação previa o desembarque dos espanhóis primeiro, seguidos por grupos organizados por nacionalidade, conforme os voos de repatriação estivessem prontos.

Após a retirada de todos os passageiros, o navio seguirá para a Holanda e passará por um processo de desinfecção, coordenado pela empresa responsável e pelo governo holandês.

Medo

A chegada do cruzeiro no local de desembarque causou apreensão e medo entre moradores de Tenerife, especialmente na região do porto Industrial de Granadilla de Abona.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que chegou a Tenerife neste sábado (09) para supervisionar o desembarque, tentou tranquilizar a população local e afirmou que o risco para saúde pública é baixo.

As autoridades das Canárias chegaram a se opor à atracação do MV Hondius. O governo espanhol, porém, aceitou receber o cruzeiro após pedido da OMS.

Neste sábado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que oferecer ao navio “um porto seguro” era “um dever moral e legal” da Espanha com seus cidadãos, com a Europa e com o direito internacional.

Sobre o caso

O caso ganhou repercussão internacional após uma série de mortes e infecções suspeitas registradas a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, embarcação de expedição que navegava pela região da Patagônia e da Antártida.

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O alerta foi emitido depois que passageiros começaram a apresentar sintomas compatíveis com hantavírus, doença rara transmitida principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores contaminados. Ao menos três pessoas morreram e vários ocupantes da embarcação precisaram ser monitorados pelas autoridades sanitárias.

As investigações mobilizaram equipes de saúde da Argentina, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas internacionais para tentar identificar a origem da contaminação. O caso gerou preocupação devido à possibilidade de transmissão entre pessoas em ambientes fechados, como cabines de navio e aeronaves.

Passageiros e tripulantes passaram a ser rastreados após desembarques em diferentes países, enquanto autoridades reforçaram que, até o momento, não há evidências de disseminação ampla ou risco de uma nova pandemia.

O navio partiu de Ushuaia em 20 de março e concluiu o percurso em 4 de maio, permanecendo ancorado próximo à capital de Cabo Verde, Praia. A bordo estavam cerca de 150 turistas de diferentes nacionalidades.

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