
Helicóptero Black-Hawk, do Exército Brasileiro
Gabriel Guimarães/TV Vanguarda
O governo em exercício do Rio de Janeiro suspendeu a compra de um helicóptero Black Hawk para a Polícia Militar após identificar problemas na licitação e por desconfiar que a aeronave era usada.
O Black Hawk é uma família de helicópteros da Sikorsky Aircraft, adquirida pela Lockheed Martin em 2015. Seus modelos são usados há mais de 40 anos por militares norte-americanos e estão presentes nas Forças Armadas de cerca de 30 países, incluindo o Brasil.
É uma aeronave blindada “multimissão” — pode atuar tanto em guerras quanto em salvamentos e incêndios.
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Saiba mais sobre o modelo
O Black Hawk pesa cerca de 6 toneladas e pode levar mais 4 toneladas de carga. Comporta 11 passageiros, como soldados armados, e 4 tripulantes.
É capaz de voar a 300 km/h, mesmo em condições adversas. Possui 4 monitores com radar e mapa.
Foi projetado para cumprir vários tipos de missão com a mesma plataforma, bastando ajustar a configuração. Pode ser empregado, além de combate, em transporte de tropas e de carga (interna ou externa, com cabos içando carros, por exemplo), evacuação médica, busca e salvamento e contra incêndios.
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Uma comparação entre o Black Hawk e o Caveirão do ar da PM do Rio de Janeiro
Reprodução
Por que o governo desistiu da compra
O g1 mostrou neste domingo (10) que o governo do RJ suspendeu a compra do helicóptero Black Hawk após identificar problemas no processo de licitação, incluindo ligações suspeitas entre empresas em tese concorrentes.
A aquisição, por R$ 70 milhões, havia sido anunciada no fim de janeiro pelo então governador Cláudio Castro (PL).
O levantamento do governo em exercício de Ricardo Couto apontou que 2 empresas envolvidas tinham vínculos diretos com o mesmo empresário, o que levantou dúvidas sobre a lisura da concorrência e possível direcionamento do edital.
Outro fator foi o valor atipicamente baixo do helicóptero — cerca de US$ 12,6 milhões, bem inferior aos R$ 28 milhões pagos recentemente pela Força Aérea Brasileira (FAB) por aeronaves semelhantes.
Isso alimentou a suspeita de que o helicóptero poderia ser usado ou conter peças de 2ª mão, contrariando a expectativa de aquisição de uma aeronave em condições melhores.
Também pesaram dúvidas técnicas e operacionais. Avaliações internas apontaram que o Black Hawk, por seu porte, peso e potência, teria baixa adequação para operações urbanas no Rio, exigindo áreas maiores para pouso e podendo causar danos a telhados e estruturas em comunidades durante voos a baixa altitude.
Por fim, o governo decidiu rever contratos e suspender a compra por cautela jurídica e administrativa, destacando que nenhum recurso havia sido pago até então.
