
Ricardo Salles (Novo), Eduardo Bolsonaro (PL) e André do Prado (PL): disputa da ala ideológica do bolsonarismo em São Paulo.
Reprodução/Redes Sociais
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado federal Ricardo Salles (NOVO) tornaram pública nas redes sociais uma briga em torno dos nomes escolhidos pela direita para disputar as vagas do Senado por São Paulo.
Nesta segunda-feira (11), em um vídeo publicado nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro acusou Salles de “calúnia” por acusá-lo de vender votos para André do Padro (PL).
“Ele começou partindo para a calúnia, dizendo que eu sou bandido, que eu sou corrupto, que eu estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar para as pessoas votarem no André do Prado”, disse Eduardo em um vídeo no YouTube.
“Eu quero que você prove, Salles, que tem algum acordo financeiro entre eu e o André do Prado. Eu quero que você diga onde é que está sua suspeita. Eu quero que você prove o que você está falando, porque você está falando que eu sou corrupto, você está falando que eu sou vendido”, completou o filho de Jair Bolsonaro.
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Na quarta-feira (5), André do Prado (PL), presidente da Alesp, foi confirmado como o segundo nome da direita para disputar uma das vagas de senador por São Paulo. A escolha foi confirmada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A fala de Eduardo foi uma resposta direta à declaração de Salles no último sábado (7). Em uma entrevista ao podcast “IronTalks”, o deputado federal do Novo afirmou que Eduardo aceitou receber até R$ 60 milhões ao negociar a vaga de do Prado para concorrer ao Senado.
“O Tarcísio sabe o que o PL do Valdemar vai fazer se ele puser o cara [André do Prado] de vice. O cara não foi aceito para ser vice. Estão querendo dizer que o candidato ao Senado do centrão corrupto, que justamente por essa razão não pôde ser vice para não contaminar o governo, passa a ter credencial para ser senador”, disse Salles em entrevista.
“A troco de que o Valdemar e o Prado convenceram o pessoal? Lá na Câmara, já estão dizendo: ‘pagou não sei quantos milhões’. Espero que seja mentira. Se der um telefonema para quatro deputados federais, os quatro vão falar a mesma coisa: ‘recebeu (dinheiro)’. Um fala R$ 20 milhões, outro fala R$ 60 milhões”, afirmou o deputado.
A troca de acusações acontece em um contexto em que Ricardo Salles aponta que não desistirá de se candidatar ao Senado pelo Novo, mesmo com o PL de Valdemar Costa Neto e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apoiando os nomes de Guilherme Derrite (PP) e do presidente da Alesp André do Prado (PL).
“Os dois nomes da direita para serem lançados para ganhar da esquerda são os nomes do Derrite e eu. Não tinha que ter nenhum terceiro nome”, afirmou Salles nas suas redes sociais na sexta (7).
O deputado do Novo afirmou que só abrirá mão da sua candidatura pelo seu partido caso o escolhido para a segunda vaga seja o vice-prefeito da capital paulista, Ricardo Mello Araújo (PL).
“Vocês retiram a candidatura do André do Prado e colocam o Mello Araújo. Se vocês colocarem ele, eu abro mão da minha candidatura. E fica só o Derrite e ele. Vamos ver se vocês querem realmente prestigiar a direita ou se é jogada do Valdemar”, sentenciou.
Até a confirmação de do Prado para disputar uma das duas vagas ao Senado, o único nome confirmado era o de Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública do governo de São Paulo, apoiado pelo governador paulista.
Conforme o g1 já tinha publicado, a escolha do presidente da Alesp já estava sendo costurada pelo próprio Tarcísio após o fim da disputa na base do governo para substituir Felício Ramuth, que deixou o PSD rumo ao MDB.
Para articular o acordo, André do Prado viajou a Miami, nos Estados Unidos, e se encontrou com Flávio e Eduardo Bolsonaro, que deram o aval ao nome do deputado do PL ocupar a vaga.
Eduardo ainda afirmou que a decisão de apoiar o deputado estadual paulista na disputa pelo Senado foi tomada sem acordos com ninguém.
“E eu não fiz acordo com ninguém. Eu sentei e conversei com várias pessoas e tomei uma decisão, porque em algum momento nós temos que tomar uma decisão […]. Fiz um vídeo ao lado do André do Prado porque não é um apoio tímido, que eu tenho vergonha; é uma pessoa que está junto comigo em um projeto e fiz isso tudo achando que dali poderia nascer um debate interessante”, disse o filho de Jair Bolsonaro, que está nos EUA desde fevereiro de 2025.
Em outro trecho do vídeo dirigido a Salles, Eduardo diz que o deputado do Novo está “virando meme” por sua conduta de “ser de biruta de vento político” e questiona a estratégia de Salles.
“Você está virando meme nas páginas, Salles, por causa dessa sua conduta de ser biruta de vento político. Não faça isso, cara. Você é quem, na última análise, está se desgastando. Não sou eu, não, Salles. Eu sou o primeiro suplente de uma chapa. O cabeça é o André do Prado, mas não faça isso, que você cai em descrédito. Agora, mais uma vez, você está notoriamente quieto. Todo mundo viu isso. Por que você acha que essa é a estratégia correta para você se manter dentro do tabuleiro político com mandato? Eu acho que não”, disse.
Mesmo nos EUA há mais de um ano e com o mandato de deputado federal cassado, Eduardo Bolsonaro foi colocado como primeiro suplente na chapa de André do Prado.
