
A circulação do hantavírus segue em atenção internacional após a confirmação de 11 casos da doença, incluindo três mortes, entre passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da preocupação, o cenário no Rio de Janeiro segue sem novos registros da doença em 2026. Em contato com o iG, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) informou que houve apenas um caso confirmado de hantavirose no estado nos últimos anos. O registro aconteceu em dezembro de 2024, no município de Barra do Piraí. Em meio a toda essa repercussão, o Ministério da Saúde do Brasil informou que o risco de disseminação do vírus permanece baixo e que os números internacionais não têm impacto direto sobre o Brasil até o momento. A pasta também reforçou que não há registro no país da variante Andes, associada aos raros casos de transmissão entre pessoas registrados na Argentina e no Chile.
Segundo a OMS, não há indícios de que o episódio do cruzeiro MV Hondius represente no momento o início de uma epidemia. No entanto, o órgão afirma que a situação segue em monitoramento devido ao longo período de incubação do vírus, o que pode levar ao surgimento de novos casos nas próximas semanas.
Cenário no Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 35 casos de hantavirose em 2025. Já em 2026, até o momento, foram confirmados sete casos e um óbito, sem nenhuma relação com o episódio monitorado pela OMS no navio de cruzeiro. Desde a identificação do primeiro caso da doença no país, que aconteceu em 1993, até dezembro de 2025, foram contabilizados 2.412 casos confirmados e 926 mortes. A hantavirose é considerada uma zoonose viral aguda, que é quando doenças infecciosas são transmitidas de animais vertebrados para seres humanos. No Brasil, esse tipo de caso costuma se manifestar na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), quadro que pode comprometer pulmões e coração. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados, especialmente pela inalação de partículas contaminadas suspensas no ar.
Sintomas
Segundo o Ministério da Saúde, a fase inicial da hantavirose pode causar febre, dores musculares, dor de cabeça, desconforto abdominal e sintomas gastrointestinais. Nos casos mais graves, a doença evolui para dificuldade respiratória, tosse seca, queda de pressão arterial e aceleração dos batimentos cardíacos. Não existe tratamento específico para a infecção por hantavírus. O atendimento médico é baseado em medidas de suporte e monitoramento intensivo dos pacientes.
Recomendações das autoridades de saúde
Ao iG, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio informou que a infecção humana acontece com maior frequência pela inalação de aerossóis formados a partir das excretas de roedores contaminados. Para eliminar o vírus do ambiente, a orientação é utilizar produtos à base de compostos fenólicos, solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, lisofórmio, detergentes e álcool etílico a 70%. A SES-RJ também recomenda ações de desratização e medidas para impedir a presença de roedores em residências, terrenos e áreas de armazenamento de alimentos. Já o Ministério da Saúde alerta que ambientes fechados por longos períodos, como cabanas, depósitos e galpões, devem ser ventilados e higienizados antes do uso. Acampamentos também devem ser montados longe de locais com sinais de infestação de ratos. Além disso, o órgão também recomenda manter terrenos limpos, armazenar alimentos em recipientes fechados e eliminar entulhos para evitar possíveis abrigos para esses animais.
