
O prefeito de Viena, cidade que na noite de hoje (12) hospeda o festival de música Eurovision 2026, fez um discurso espontâneo e irritado na última sexta-feira, diante de um pequeno grupo — e ruidoso como sempre — de manifestantes pró-Palestina.
“Não vamos nos deixar aterrorizar nem ficar em silêncio. Infelizmente, precisaremos de medidas de segurança mais rigorosas por causa de pessoas como vocês. Isso acarretará grandes despesas, mas, ainda assim, realizaremos um festival de união — isso eu posso lhes prometer”.
Michael Ludwig, afiliado ao Partido Social-Democrata, tem motivos para se preocupar com a segurança do festival, que é o evento musical mais assistido do mundo — no ano passado, foi assistido por 170 milhões de telespectadores.
O terrorismo manda a conta
A tensão do prefeito é resultado direto da experiência acumulada do país com o terrorismo: foram três atentados nos últimos cinco anos, dois deles com mortos e feridos.
Deve-se incluir na lista um quarto ataque coordenado pelo Estado Islâmico que foi, felizmente, frustrado, mas que levou os organizadores a cancelar três shows de Taylor Swift em agosto de 2024. Mais de 65 mil espectadores eram esperados por noite. Os ingressos estavam esgotados. O prejuízo atingiu a todos: o público, os organizadores e, principalmente, a cidade.
Por fim, a presença de Noam Bettan, o candidato israelense, tensiona ainda mais um país já bastante pressionado por grupos terroristas. Entidades pró-Palestina estão organizando duas manifestações contra Israel: uma no dia 15 e outra no dia 16, data da final do festival. Israel há de estar por lá, uma vez que — ironia das ironias — o país, via de regra, se destaca pela votação popular.

Campanha “no bag”
A edição deste ano contará com um nível de segurança sem precedentes para esse tipo de evento. O controle começará já no aeroporto da cidade. Viena receberá um reforço de 500 agentes de segurança e uma área de 1,5 quilômetros ao redor do local do evento será isolada, com proibição do uso de drones.
O FBI está dando apoio às equipes de segurança locais, que atuarão conforme um manual de medidas antiterrorismo. A entrada do evento será controlada por equipamentos de raio-X e por cães farejadores de explosivos. Toda a área ao redor do Estádio Wiener será cercada por um extenso cordão policial. Para conscientizar o público sobre a proibição de trazer bolsas ou mochilas, foi criada uma campanha engraçadinha (assista aqui).
Mas a parte da graça termina aqui: ser obrigado a investir em tal nível de proteção não tem nada de engraçado. Nem para o governo, nem para o público, que busca apenas se divertir.
