PF investiga deputado Marcelo Queiroz por fraudes em contratos

Marcelo Queiroz é investigado pela Polícia Federal na Operação CastratioKayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (12), a Operação Castratio, que apura um suposto esquema de fraude em contratos da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio de Janeiro (Seappa) voltados à castração e esterilização de animais. Um dos principais alvos da ação é o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), ex-secretário estadual da pasta. Ao todo, agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Empresa investigada assinou acordos milionários

Segundo a investigação, os fatos teriam ocorrido entre outubro de 2019 e março de 2022, período em que Marcelo Queiroz comandava a Seappa. A PF suspeita de direcionamento de licitações para beneficiar a empresa Consuvet, criada em julho de 2021 e que, em poucos meses, firmou contratos milionários com o governo estadual. De acordo com a corporação, a empresa teria assinado contratos superiores a R$ 8,3 milhões apenas quatro meses após sua criação, mesmo sem estrutura operacional compatível para executar os serviços. As investigações apontam ainda que a Consuvet apresentou contratos de locação supostamente fraudulentos para comprovar capacidade técnica, já que os documentos seriam datados de 2020 antes mesmo da existência formal da empresa.

Investigação aponta fraude em licitações

Marcelo Queirozreprodução / Governo do Rio

A Polícia Federal afirma que a Consuvet venceu licitações mesmo sem apresentar a melhor proposta financeira. Em um dos contratos analisados, a empresa apresentou apenas a quarta melhor oferta, mas acabou escolhida pela secretaria sob justificativa de experiência prévia em serviços semelhantes. O relatório enviado ao STF cita ainda o ex-diretor-geral de Administração e Finanças da Seappa, Antônio Emílio Santos, apontado como figura central do esquema. Segundo a PF, ele teria participado da autorização de contratos e, posteriormente, ingressado como sócio da própria empresa beneficiada pelas licitações.

PF apura evolução patrimonial de parlamentar

A decisão do ministro Flávio Dino menciona “múltiplos indicativos” de irregularidades e destaca movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelos agentes públicos investigados. O magistrado também citou saques frequentes em dinheiro vivo e de forma fracionada, o que, segundo a PF, pode indicar tentativa de ocultação da origem dos recursos. Entre os pontos destacados pela investigação está a evolução patrimonial de Marcelo Queiroz. Conforme relatório policial citado nos autos, o deputado declarou crescimento de 665% em seu patrimônio entre as eleições de 2022 e 2024, passando a informar R$ 7,6 milhões em bens. A PF ressalta, porém, que parte do aumento pode estar relacionada à herança deixada pelo pai do parlamentar, falecido em 2023.

Ex-subsecretária é citada no inquérito

Os investigadores também apuram a atuação da então subsecretária de Proteção e Bem-Estar Animal, Camila Costa da Silva, descrita como pessoa de confiança de Marcelo Queiroz. Segundo a PF, ela teria atuado para facilitar e direcionar licitações em favor da Consuvet. A operação desta terça também teve como alvo Anna Caroline Vianna Dupret dos Santos, companheira do deputado. De acordo com a investigação, ela é suspeita de dificultar diligências policiais ao não entregar um celular considerado relevante para o caso durante uma operação anterior.

Celular de Marcelo Queiroz foi apreendido

O celular de Marcelo Queiroz foi apreendido pelos agentes. Em outros endereços, a PF também recolheu dinheiro em espécie, veículos e aparelhos eletrônicos que serão submetidos à perícia. A Polícia Federal investiga possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O iG entrou em contato com o gabinete do deputado Marcelo Queiroz, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para posicionamentos da defesa.

Quem é Marcelo Queiroz

Marcel Queiroz em uma das unidades de castração móvelreprodução / Marcelo Queiroz

Marcelo Queiroz está na política do Rio desde 2008, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, mas não foi eleito. Dois anos depois, tentou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ficando como suplente pelo Democratas (DEM), resultado que se repetiu em 2010.

Em 2012, já filiado Partido Progressista (PP), conseguiu sua primeira vitória eleitoral ao ser vereador do Rio de Janeiro com 8.428 votos. Após o mandato na Câmara Municipal, voltou a disputar eleições para deputado estadual em 2014 e 2018, mas não obteve sucesso nas urnas.

A eleição veio em 2022, quando conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 73.728 votos. Já em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou a corrida eleitoral na quarta colocação, com 74.966 votos, o equivalente a 2,44% do total.

Ao longo da trajetória política, acumulou cargos no Executivo fluminense. Foi secretário municipal de Administração do Rio em 2015, secretário municipal de Meio Ambiente em 2019 e secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa) entre 2019 e 2022.

Em julho de 2025, deixou o PP e se filiou ao PSDB, seu partido atual. 

Sua principal bandeira política é a defesa dos animais. Entre os projetos ligados à pauta está o programa RJPet, voltado à castração móvel de cães e gatos, apresentado por ele como o maior programa de castração animal do mundo.  

Adicionar aos favoritos o Link permanente.