US Industry Day debate nova fase da relação industrial entre Brasil e Estados Unidos

BRAZILIAN WEEK

US Industry Day, realizado durante a Brazilian Week, em Nova York, colocou a integração industrial entre Brasil e Estados Unidos no centro da agenda econômica bilateral. O evento reuniu empresários, investidores e representantes dos dois países para discutir caminhos de cooperação em produção, tecnologia, energia, infraestrutura e capacidade industrial.

A proposta foi ampliar o debate para além do comércio exterior. Em um cenário global marcado por disputa por investimentos, produtividade e segurança econômica, a indústria voltou a ocupar posição estratégica nas conversas entre Brasil e Estados Unidos.

Entre os principais temas discutidos no evento estiveram minerais críticos, biocombustíveis, infraestrutura, digitalização e tecnologia. A agenda mostrou que a relação bilateral passa a ser observada também sob a ótica da competitividade industrial e da complementaridade entre as duas economias.

Brasil quer avançar além da exportação de commodities

Durante o US Industry Day, Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que o Brasil deve ser analisado pelo prisma da agregação de valor e da complementaridade com os Estados Unidos.

“Uma coisa é certa, o Brasil definitivamente não vai mais ser apenas um exportador de commodities. O Brasil é tido como um país friendly, um país amigável, e essa característica, essa história do Brasil, torna ele um país confiável”, disse Alban.

A fala reforça o papel que o Brasil busca ocupar em uma nova etapa da relação com os Estados Unidos. A discussão passa a envolver não apenas venda de produtos, mas também produção conjunta, investimentos, tecnologia e inserção em cadeias industriais mais estratégicas.

Evento destaca segurança jurídica e ambiente institucional

A atração de investimentos internacionais também esteve entre os pontos centrais do US Industry Day. Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco, destacou que o Brasil reúne características relevantes para investidores estrangeiros.

“O Brasil tem vários bônus, segurança jurídica, uma democracia plena, respeito às instituições. Então, a institucionalização que o Brasil oferece de respeito a contratos é fundamental para que a gente possa fazer uma boa imagem com os investidores internacionais”, afirmou.

No contexto do evento, a segurança jurídica foi tratada como um dos fatores importantes para ampliar a confiança de investidores e empresas que analisam oportunidades no Brasil.

Estados Unidos são destino relevante para a indústria brasileira

O US Industry Day também destacou o peso econômico da relação entre os dois países. Os Estados Unidos seguem como o principal destino das exportações da indústria brasileira. Segundo a CNI, cada R$ 1 bilhão exportado para o mercado norte-americano gera mais de 24 mil empregos no Brasil.

A relação também se fortalece no campo dos investimentos. Os Estados Unidos são hoje o principal investidor estrangeiro do Brasil, enquanto empresas brasileiras ampliaram sua presença em estados norte-americanos.

Esse movimento mostra que a conexão entre os dois países vai além da balança comercial e envolve decisões de investimento, expansão empresarial e presença produtiva nos dois mercados.

Acordos bilaterais podem gerar novos negócios

André Gerdau, presidente do conselho de administração da Gerdau, afirmou que a relação industrial entre Brasil e Estados Unidos tem uma base histórica importante.

“Historicamente, existe muito investimento americano no Brasil. Grande parte da indústria no Brasil foi construída com capital e tecnologia americana”, disse.

Segundo ele, no cenário atual, acordos bilaterais podem ajudar a ampliar oportunidades entre os dois países.

“O importante é ter acordos bilaterais, o Brasil com os Estados Unidos, que aí, sim, pode gerar muito mais negócios”, afirmou Gerdau.

Tecnologia, energia e produção entram no centro da agenda

O avanço das disputas comerciais e tecnológicas entre grandes potências mudou a lógica da economia global. Capacidade de produção, acesso à energia e domínio tecnológico passaram a ter peso estratégico nas decisões de empresas e investidores.

Nesse ambiente, o US Industry Day mostrou que Brasil e Estados Unidos discutem uma agenda mais ampla, baseada em produção, investimento, tecnologia e competitividade industrial.

Mais do que ampliar o comércio, o evento reforçou a necessidade de construir uma relação bilateral baseada em complementaridade, segurança institucional e oportunidades para os dois lados.

*Este conteúdo integra a cobertura especial da BM&C News durante a Brazilian Week 2026, em Nova York. Uma agenda dedicada a discutir o papel do Brasil no novo ciclo de capital global. Oferecimento: Sistema Indústria. A indústria cria. A indústria é mais Brasil.

Apoio: SoftBank.

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