‘Falta de respeito’: motoristas ignoram faixa e pedestres sofrem para atravessar rotatórias em Campinas


Pedestres de Campinas relatam dificuldades para atravessar rotatórias mesmo na faixa
Pedestres em Campinas (SP) têm enfrentado dificuldades para conseguir atravessar rotatórias, mesmo na faixa, por conta da postura de motoristas, que ignoram a determinação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) de dar preferência às pessoas que querem fazer a travessia.
Segundo dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), no primeiro trimestre de 2026 foram 38 infrações aplicadas contra motoristas por não dar preferência à faixa de pedestres.
O número é menor em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram 47 multas aplicadas. No entanto, a fiscalização ainda é baixa, já que depende da presença de agentes da empresa no local.
Já uma câmera de vídeo instalada na rotatória da torre, mais conhecida como Balão do Castelo, na Avenida João Erbolato, constatou 53 autuações em apenas um mês de monitoramento.
Dessas, 81% envolviam comportamentos inadequados, como não dar a preferência ou parar em cima da faixa de pedestres.
“Falta um pouco de respeito. Param na faixa, não respeitam nem o sinal muitas vezes. É muito perigoso”, reclamou o pedestre Roberto Palhinha.
De acordo com o CTB, o motorista que não dá preferência para o pedestre atravessar a faixa em uma rotatória comete falta gravíssima, que prevê multa no valor de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Desafio
Balão do Castelo é um dos pontos mais difíceis para a passagem de pedestres
Reprodução/EPTV
Atravessar uma rotatória em Campinas (SP) pode ser um desafio aos pedestres. Além dos motoristas dificilmente darem preferência para quem precisa realizar a travessia, aqueles que cumprem o que determina o CTB acabam recebendo “buzinadas” e xingamentos de outros veículos que desrespeitam a legislação.
“Na faixa tem que parar, mas em vias mais movimentadas a gente para se não tiver movimento atrás, senão é perigoso você provocar um acidente”, disse o motorista Aparecido Leite.
A pedestre Shirley Souza afirmou que, muitas vezes, os motoristas vêm em alta velocidade e não conseguem parar a tempo.
“Alguns param, mas às vezes vem um fluxo muito grande, aí fica meio difícil de parar em cima. Na correria e na pressa, o pessoal não para mesmo. Acho que é uma questão de conscientização, né?”, ponderou.
O desafio fica ainda mais evidente no Balão do Castelo. Um dos cruzamentos no local até conta com sinalização, avisando a passagem de pedestres, mas mesmo assim é necessário esperar muito tempo para conseguir atravessar.
“É complicado, tem uns motoristas que respeitam, mas outros não. Passei, tive que acelerar o passo porque o carro não ia parar. Não tem semáforo, aí se um carro vai parar, o outro vem atrás e bate”, contou o eletricista Thiago Soares.
Acidentes
A situação também tem aumentado os riscos de acidentes. Foi o que quase aconteceu com a pensionista Maria Souza ao tentar cruzar o balão entre a Rua Abolição e a Avenida Jorge Tibiriçá. O local é conhecido como “Balão da Morte” por conta do grande número de acidentes.
“Aqui é horrível. Quase fui atropelada outro dia. Estava passando e pedi para o carro parar, ele não parou e veio pra cima de mim”, relatou.
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias da região no g1 Campinas
Adicionar aos favoritos o Link permanente.