O perfume de rosa recém-cortada e a silhueta de um moinho de quase 40 metros recebem quem chega a Holambra, no interior de São Paulo. A cidade nasceu em 1948 com a chegada de cerca de 500 imigrantes holandeses do pós-guerra e hoje responde por aproximadamente 40% da produção nacional de flores e plantas ornamentais.
A fazenda comprada de um frigorífico americano que virou Holanda no interior paulista
A imigração começou em 5 de junho de 1948, quando os primeiros holandeses chegaram à antiga Fazenda Ribeirão. A área de 5 mil hectares pertencia ao frigorífico norte-americano Armour e foi comprada com intermediação de empréstimos firmados em acordo entre os governos do Brasil e da Holanda.
Os pioneiros vieram da província de Brabante do Norte, organizados pela Associação Neerlandesa dos Lavradores e Horticultores Católicos (Katholieke Nederlandse Boeren-en Tuindersbond). O nome Holambra é a fusão de Holanda, América e Brasil, escolhido pelos próprios colonos. Em 14 de julho de 1948, foi fundada a Cooperativa Agropecuária Holambra, marco oficial do nascimento da colônia, segundo o histórico publicado pela Câmara Municipal de Holambra.
O projeto inicial dos colonos era produzir leite com vacas trazidas da Holanda, mas o rebanho não resistiu ao calor e às doenças tropicais. A virada veio com o Plano dos Vinte Hectares, que dividiu a fazenda em sítios menores e diversificou a produção. A vocação que mudaria a cidade para sempre apareceu na segunda leva de imigrantes, que trouxe na bagagem sementes de gladíolos. Entre 1966 e 1980, a floricultura virou a principal atividade econômica, conforme registra a Biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A emancipação política como município veio em 1991, em plebiscito aprovado por 98% dos moradores.

Quais atrações compõem o roteiro pela cidade das flores?
Holambra é compacta e pode ser percorrida a pé ou de bicicleta. As atrações combinam arquitetura típica holandesa, campos floridos abertos à visitação e museus que contam a saga dos imigrantes.
- Moinho Povos Unidos: maior moinho típico holandês da América Latina, com 38 metros de altura e 90 toneladas, inaugurado em 2008 para marcar os 60 anos da imigração. Tem cinco andares temáticos e mirante panorâmico.
- Recinto da Expoflora: parque de 250 mil m² que sedia a maior feira de flores do continente, sempre entre o fim de agosto e o fim de setembro.
- Parque Van Gogh: área verde gratuita com lago, pedalinhos e réplicas de quadros do pintor holandês.
- Boulevard Holandês: rua principal com lojas, restaurantes e fachadas típicas em estilo enxaimel.
- Museu Histórico e Cultural: acervo com cerca de 2 mil fotos da imigração, tratores trazidos da Europa e réplicas das primeiras casas de pau-a-pique.
- Campos de girassóis e lavandas: áreas de cultivo abertas à visitação, especialmente entre junho e agosto.

A Expoflora é o Fashion Week da floricultura brasileira
Realizada desde 1981, a Expoflora é considerada a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina. A primeira edição reuniu 12 mil pessoas em um único final de semana. Hoje o evento atrai cerca de 300 mil visitantes por edição, segundo dados divulgados pela Prefeitura de Holambra.
A 43ª edição acontece em 2026, entre 28 de agosto e 27 de setembro, nas sextas, sábados e domingos. Entre as atrações tradicionais estão a Chuva de Pétalas, a Parada das Flores com carros alegóricos e o Shopping das Flores, com milhares de variedades à venda. O setor de floricultura nacional movimenta mais de R$ 12 bilhões por ano, segundo a Câmara Municipal, e Holambra concentra a maior fatia dessa produção.
O que comer entre stroopwafel e queijo gouda artesanal?
A herança holandesa também está na mesa. O Roteiro Gastronômico oficial da cidade reúne cafés, choperias e restaurantes que mantêm receitas dos colonos adaptadas ao paladar brasileiro.
- Stroopwafel: waffle fino recheado com caramelo, servido quente em cafeterias do Boulevard.
- Queijos gouda e edam: produzidos localmente, herança direta dos laticínios que os primeiros colonos tentaram antes das flores.
- Erwtensoep: sopa espessa de ervilha, prato típico holandês adaptado ao inverno ameno da região.
- Bitterballen: bolinho frito de carne com mostarda, servido como aperitivo nas choperias.
- Cervejas artesanais: receitas locais inspiradas nas tradições holandesas, presentes em fábricas abertas à visitação.
Quem deseja mergulhar na herança e no colorido da capital brasileira das flores, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 165 mil visualizações, onde é apresentada a história e a cultura de Holambra, São Paulo:
Quando ir e o que esperar do clima da Cidade das Flores?
Holambra fica a 600 metros de altitude, com clima subtropical ameno e temperatura média anual em torno de 21°C. A primavera é a alta temporada por causa da florada intensa e da Expoflora, mas o calendário cultural mantém atrativos durante o ano todo.

Verão
18°C a 30°C
CHUVA ALTA
Outono
13°C a 26°C
CHUVA MÉDIA
Inverno
9°C a 23°C
TEMPO SECO
Primavera
14°C a 28°C
ALTA TEMPORADA
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Holambra pelas rodovias paulistas?
A cidade fica a 130 km de São Paulo e a 40 km de Campinas. O trajeto mais comum sai pela Rodovia dos Bandeirantes até Valinhos e segue pelas rodovias José Magalhães Teixeira, Dom Pedro I e Governador Adhemar Pereira de Barros, com tempo médio de uma hora e cinquenta. Quem prefere alternativa parte pela Rodovia Anhanguera e acessa a SP-340 em Campinas.
O aeroporto mais próximo é o de Viracopos, em Campinas, a cerca de 40 km, com voos nacionais e internacionais. Durante a Expoflora, ônibus fretados operam de São Paulo e da Região Metropolitana, e excursões saem de várias cidades do interior paulista.
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Visite a colônia holandesa que virou capital das flores do Brasil
Holambra reúne em 65 km² o maior moinho típico da América Latina, a maior feira de flores do continente e uma herança holandesa preservada em arquitetura, gastronomia e calendário. Poucos destinos brasileiros conseguem manter essa fidelidade europeia a tão pouca distância de uma metrópole.
Você precisa pegar a estrada e conhecer Holambra para entender por que uma colônia de quinhentos imigrantes do pós-guerra virou a capital das flores do Brasil em apenas três gerações.
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