O mineral olivina é um silicato de ferro e magnésio fascinante. Além de ser lapidado como a gema preciosa “peridoto”, este cristal verde translúcido compõe a maior parte do manto superior do nosso planeta e, surpreendentemente, é frequentemente encontrado intacto em meteoritos que cruzam o espaço.
Como a olivina domina a composição do manto terrestre?
A geologia revela que este mineral cristaliza a altíssimas temperaturas no interior da Terra, sendo o primeiro mineral a se formar quando o magma vulcânico começa a esfriar. Por ser extremamente denso, ele afunda e compõe cerca de 50% do manto superior do planeta.
Raramente o encontramos na superfície em sua forma pura, pois ele sofre intemperismo rápido ao entrar em contato com a água e o oxigênio. Pesquisas geológicas monitoradas pelo Serviço Geológico dos EUA (USGS) utilizam sua presença na crosta para entender o vulcanismo ativo em locais como o Havaí.

Por que esse mineral é encontrado em meteoritos espaciais?
A presença dessa pedra em meteoritos do tipo “pallasita” é um dos maiores espetáculos da mineralogia. Pallasitas são compostos por uma matriz de ferro-níquel recheada de cristais verdes e translúcidos. Eles representam a fronteira entre o núcleo de metal e o manto rochoso de antigos asteroides destruídos.
Para entender a distinção entre a ocorrência terrestre e a espacial deste silicato, apresentamos a comparação cristalográfica abaixo:
| Origem do Cristal | Olivina Terrestre (Basalto/Manto) | Olivina em Meteoritos (Pallasitas) |
| Formação Visual | Cristais pequenos e arenosos (praias verdes) | Cristais translúcidos incrustados em metal |
| Raridade Comercial | Comum (usado na indústria siderúrgica) | Extremamente rara e valiosa para colecionadores |
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Como a gema peridoto é valorizada na alta joalheria?
Quando os cristais atingem um nível de transparência perfeita e uma cor verde-oliva intensa sem tons amarelados, a pedra é chamada de peridoto. É uma das poucas gemas do mundo que ocorre em apenas uma cor, diferenciando-se de pedras como a safira e o topázio.
Abaixo, listamos as características técnicas e mineralógicas que definem o valor deste silicato:
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Fórmula Química: (Mg, Fe)2SiO4.
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Dureza (Escala Mohs): 6,5 a 7,0 (Exige cuidado com arranhões).
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Cor Predominante: Verde-oliva a verde amarelado.
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Fenômeno Óptico: Alta birrefringência (duplicação visual das facetas lapidadas).
Qual a importância da olivina para o combate às mudanças climáticas?
Recentemente, a ciência climática descobriu que este mineral tem uma incrível capacidade natural de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera quando triturado e espalhado em ambientes úmidos. Esse processo, chamado de “intemperismo aprimorado”, transforma o CO2 em minerais carbonáticos estáveis.
Cientistas ambientais estudam a viabilidade de espalhar toneladas desse pó verde em praias e fazendas para acelerar o processo natural de captura de carbono, apontando a pedra como uma ferramenta viável de geoengenharia para esfriar o planeta.
Para conhecer as características visuais e a classificação de uma gema da família das olivinas, selecionamos o conteúdo do canal Minerios e mineradores. No vídeo a seguir, você confere de perto a beleza e a dureza desse cristal em seu estado natural:
Por que estudar este mineral é olhar para as origens do universo?
Segurar um cristal de pallasita é literalmente tocar em um pedaço do núcleo de um protoplaneta destruído nos primórdios do nosso sistema solar. A química deste cristal verde é o tijolo fundamental que construiu a Terra sob os nossos pés.
Para gemólogos e astrônomos, o cristal une a beleza da joalheria com o mistério insondável do espaço sideral. É o mineral que prova que as mesmas regras da química e da física que operam nos vulcões terrestres, governam a formação das estrelas e meteoros no cosmos.
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