ANÁLISE: pesquisa mostra melhora na avaliação do governo e eleição apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, diz diretor da Quaest


Quaest: 49% desaprovam e 46% aprovam o governo Lula
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (13), mostra que houve uma melhora na percepção dos brasileiros sobre o governo Lula, sob o impacto de notícias como o lançamento do programa Desenrola 2.0, para ajudar a reduzir o endividamento das famílias.
A desaprovação (49%) continua acima da aprovação (46%), mas a diferença entre os dois índices era de nove pontos percentuais em abril e agora é de três, a menor desde fevereiro.
“O principal movimento aconteceu entre os eleitores independentes”, afirma Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Nesse segmento, o saldo negativo era de 26 pontos (58% a 32%) em abril e agora é de 15 pontos (52% a 37%).
Os eleitores independentes correspondem a 32% do total e podem decidir a eleição presidencial de outubro. São aqueles que não se consideram nem de direita, nem de esquerda, nem lulistas, nem bolsonaristas.
A Quaest aponta que a melhora no desempenho do governo está também na faixa etária entre 35 e 59 anos, em que a aprovação subiu de 41% para 47% e a desaprovação caiu de 54% para 48%; e entre as mulheres, cuja aprovação subiu de 45% para 48% e voltou a superar a desaprovação (44%).
Confira a intenção de voto no 2º turno de acordo com o posicionamento político dos eleitores entrevistados:
Intenção de voto para presidente no 2º turno: Lula X Flávio Bolsonaro – Intenção de voto de acordo com o posicionamento político
Arte/g1
Empate técnico na corrida presidencial
No cenário da eleição, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) continuam empatados tecnicamente na simulação de 2º turno, mas o presidente voltou a ficar à frente numericamente, por 42% a 41%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
“É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui”, afirma Nunes.
Quaest: Intenção de voto para segundo turno – Lula X Flávio Bolsonaro (maio/2026)
Arte/g1
“Vale notar que, neste último mês, o eleitor independente, que será decisivo, oscilou marginalmente em favor do Lula. As margens de erro aqui são maiores, de quatro pontos, mas havia uma tendência negativa desde janeiro que foi interrompida. Nos outros grupos, tudo igual”, explica Nunes.
Entre os eleitores independentes, 31% afirmam que votariam em Flávio Bolsonaro e 29% iriam de Lula (em abril, o placar era de 33% a 26%), e outros 35% respondem que não votariam caso o 2º turno fosse entre os dois.
Considerando as regiões do país, Flávio tinha 47% em abril no Sudeste e agora tem 44%. Lula tinha 35% e agora aparece com 37%.
Lula lidera no Nordeste (61% a 28%), e Flávio está à frente no Sudeste (44% a 37%), no Sul (49% a 30%) e no Norte/Centro-Oeste (50% a 36%).
No eleitorado feminino, o presidente supera o adversário por 45% a 36%. Entre os homens, o senador do PL fica à frente com 47% a 39%.
Quaest 2º turno: Lula tem 42%; Flávio Bolsonaro, 41%, em empate técnico
Cenário polarizado no 1º turno
No cenário de 1º turno, Lula lidera com 39% e Flávio tem 33%, ambos bem distantes dos demais concorrentes. “Ou seja, a polarização consome 72% das intenções de voto neste momento”, explica Nunes. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem com 4% cada. Renan Santos tem 2%.
A pesquisa mostra que cresceu o percentual dos que consideram a escolha do candidato definitiva: são 63% agora e eram 57% em abril. Outros 37% afirmam que a decisão ainda pode mudar até outubro.
Expectativas da população sobre o programa Desenrola
Em relação ao Desenrola 2.0, lançado pelo governo no dia 4 de maio, 50% dos entrevistados consideram uma boa ideia para socorrer quem está no vermelho. Para 38%, ele vai ajudar muito os endividados. Outros 27% avaliam que vai ajudar pouco e 33% acham que não vai ajudar.
Para 79%, está correta a regra imposta pelo governo que proíbe apostas online para quem adere ao programa.
Boas notícias para o governo
Para Nunes, a pesquisa mostra que “a população parece impactada por um ambiente de notícias mais positivas para o governo”.
Segundo a Quaest, 32% afirmam ter visto mais notícias positivas do que negativas sobre o governo Lula. Esse índice era de 23% em abril. Por outro lado, o índice dos que viram mais notícias negativas passou de 48% para 43%.
“A primeira notícia positiva para o governo foi o encontro de Lula com Trump. Essa informação ficou conhecida por 70% dos brasileiros”, explica Nunes.
A pesquisa mostra que, para 43% dos entrevistados, Lula saiu mais forte desse encontro, enquanto 26% consideram que ele saiu mais fraco e 13% acham que saiu igual.
A reunião foi realizada na Casa Branca no dia 7. A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 8 e 11.
Para 60% dos entrevistados, o encontro foi bom para o Brasil; 56% dizem que Lula foi amigável e 56% consideram que o presidente do Brasil deve ser aliado dos EUA.
“A segunda notícia positiva para o governo foi o anúncio do Desenrola 2.0”, afirma Nunes. “Na população como um todo, o programa ficou conhecido por 57% desde o seu anúncio”.
Outra boa notícia, diz o diretor da Quaest, é que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil parece estar gerando um impacto maior agora, após um efeito muito pequeno medido nos primeiros meses.
“Saiu de 17% para 21% [o índice de] os brasileiros que dizem terem visto suas rendas aumentarem significativamente por conta da isenção”, diz Nunes.
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação
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