Banco Master: quem são os investigados por aplicações de R$ 107 mi da previdência de Cajamar


Banco Master: PF investiga aplicação irregular de R$ 107 milhões da previdência em Cajamar
Gestores e ex-gestores do fundo de previdência de Cajamar (IPSSC) são os alvos da operação “Off-Balance”, da Polícia Federal de Campinas (SP), que investiga aplicações irregulares de R$ 107 milhões em títulos dos bancos Master e Daycoval. A ação foi deflagrada nesta quarta-feira (13).
De acordo com a investigação, os investimentos foram feitos entre agosto de 2023 e março de 2024. A PF aponta que as aplicações ocorreram sem análise técnica adequada, com falhas de governança e com possível direcionamento para operações de alto risco.
A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e o afastamento dos investigados das funções públicas, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão. Veja quem são:
Luiz Henrique Miranda Teixeira: ex-diretor executivo do IPSSC. Em endereços ligados a ele, foram apreendidos R$ 10 mil, 2 mil euros, 2 mil dólares e um carro.
Milton Marques Dias: advogado, diretor administrativo e financeiro do IPSSC e membro do Comitê de Investimentos do instituto.
Marcelo Ribas de Oliveira: advogado, diretor de Benefícios e presidente do Comitê de Investimentos.
Rafael Petrozziello: advogado, subsecretário de Governo de Cajamar e membro do Comitê de Investimentos.
O g1 tenta localizar as defesas dos investigados.
Dinheiro apreendido durante cumprimento de mandado de busca
Polícia Federal/Divulgação
Investigação
Segundo a PF, a investigação começou a partir de informações sobre irregularidades na aplicação de aproximadamente R$ 107 milhões em quatro Letras Financeiras emitidas por dois bancos privados.
Entre agosto de 2023 e março de 2024, o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC) realizou quatro aplicações em Letras Financeiras, totalizando aproximadamente R$ 107 milhões — cerca de 19,56% do patrimônio líquido do regime próprio de previdência do município.
Os aportes foram direcionados ao Banco Daycoval, que recebeu R$ 20 milhões, e ao Banco Master, que recebeu R$ 87 milhões em três operações distintas. As aplicações tinham vencimentos de longo prazo, entre oito e 10 anos, e taxas indexadas ao IPCA.
A corporação informou que o nome da operação, “Off-Balance”, se refere ao desequilíbrio entre a gestão prudente dos recursos da previdência e a adoção de riscos inadequados para a segurança de um fundo previdenciário.
A PF informou ainda que, apesar de envolver as mesmas instituições financeiras e ter semelhanças no modo de operação, a ofensiva desta quarta-feira não é um desdobramento da operação realizada há duas semanas em Santo Antônio de Posse (SP). As duas investigações tramitaram em paralelo.
Banco Master: PF investiga aplicação irregular de R$ 107 milhões da previdência em Cajamar
Polícia Federal/Divulgação
MP alertou risco de perda
A Procuradoria do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) alertou, em abril do ano passado, que pelo menos cinco institutos de previdência de servidores municipais no estado haviam investido centenas de milhões de reais no Banco Master — entre eles, o de Cajamar.
A crise do Banco Master levou à liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central e à prisão do dono, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o grupo.
Nos últimos anos, o banco passou a oferecer CDBs com juros muito acima do mercado para atrair investidores e levantar recursos rapidamente. Segundo especialistas e investigadores, a instituição enfrentava dificuldades financeiras e dependia de novas captações para manter as operações.
As investigações apontam ainda o uso de ativos de baixa qualidade e supostas carteiras de crédito falsas para transmitir uma aparência de solidez financeira. Tentativas de venda do banco fracassaram após questionamentos sobre transparência e riscos da operação.
O caso também expôs os limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá desembolsar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir clientes das instituições do grupo.
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