491 anos, uma caravela chamada Glória e o convento que demorou 180 anos para ficar pronto: a cidade onde o Espírito Santo nasceu

491 anos, uma caravela chamada Glória e o convento que demorou 180 anos para ficar pronto: a cidade onde o Espírito Santo nasceu

Em 23 de maio de 1535, o donatário Vasco Fernandes Coutinho desembarcou em uma praia entre morros rochosos com 60 homens a bordo da caravela Glória. O lugar, hoje conhecido como Prainha, virou o ponto zero da colonização do Espírito Santo e a primeira vila do estado, Vila Velha.

O fidalgo que vendeu tudo em Portugal para fundar uma capitania

Em 1534, o Rei Dom João III dividiu o Brasil em 15 capitanias hereditárias e concedeu a do Espírito Santo a Vasco Coutinho. Para custear a empreitada, o donatário vendeu todos os bens em Portugal e embarcou rumo ao território desconhecido com sua tripulação.

O nome da capitania veio do calendário religioso. A chegada caiu na oitava de Pentecostes, e o donatário batizou o lugar de Espírito Santo. A vila fundada na praia ganhou o mesmo nome e funcionou como sede da capitania até 1549, quando os ataques indígenas, franceses e holandeses forçaram a mudança da capital para uma ilha próxima, fundando ali a futura Vitória. A história completa está no portal Descubra o Espírito Santo, da secretaria estadual de turismo.

Vila Velha, Espírito Santo // Créditos: depositphotos.com / losak.napior

A igreja construída em 1535 ainda celebra missas no centro histórico

Logo após desembarcar, Vasco Coutinho mandou erguer uma capela na Prainha. A obra começou em 1535 e deu origem à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, considerada uma das mais antigas do Brasil em atividade. A construção original foi ampliada ao longo dos séculos e ganhou o formato atual entre 1551 e o século XVIII.

A igreja é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 20 de março de 1950. Em frente, a praça abriga palmeiras imperiais e um obelisco em homenagem ao donatário. O conjunto está no Sítio Histórico da Prainha, ao lado do Forte de São Francisco Xavier de Piratininga, erguido pelo próprio Coutinho em 1535 e hoje sede do 38º Batalhão de Infantaria.

O convento que demorou 180 anos para ficar pronto no alto do penhasco

O Convento da Penha é o ponto turístico mais visitado do Espírito Santo. A história começou em 1558, com a chegada do frei Pedro Palácios, espanhol vindo de Medina de Rioseco. Ele se instalou em uma gruta aos pés do morro e, anos depois, começou a erguer uma pequena ermida no alto de um penhasco de 154 metros coberto pela Mata Atlântica.

A obra avançou em ritmo lento, com sucessivas ampliações encomendadas por descendentes do donatário e autoridades da vila. A arquitetura jesuítica em estilo Cidadela Medieval, única no Brasil, só foi concluída em 1750, quase dois séculos depois do início. O monumento foi tombado pelo IPHAN em 1943, e a Festa da Penha, em abril, é considerada o terceiro maior evento religioso do país. Detalhes no portal da Prefeitura de Vila Velha.

As balas vendidas por garotos que viraram a maior fábrica de chocolate da América Latina

No dia 16 de agosto de 1929, o imigrante alemão Henrique Meyerfreund fundou na Prainha uma pequena fábrica de balas. Para distribuir o doce, contratou meninos que percorriam as ruas vendendo o produto, e os clientes passaram a pedir as balas dos garotos. Daí nasceu o nome da marca.

Em 1934, Meyerfreund recebeu uma herança e comprou máquinas para produzir chocolate. Dois anos depois, conseguiu financiamento e mudou a fábrica para o bairro da Glória, onde a unidade industrial funciona até hoje. A Garoto é a maior unidade industrial de fabricação de chocolates da América Latina, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Festival do Chocolate, criado em 2009, chega a atrair 180 mil visitantes por edição e vende cerca de 800 kg de chocolate, segundo registros da Wikipedia em inglês.

Vila Velha, Espírito Santo // Créditos: depositphotos.com / losak.napior

A cidade trocou de nome em 1890 e virou a mais populosa do litoral capixaba

O batismo original, Vila do Espírito Santo, sobreviveu por 355 anos. Em 1890, com a Constituição estadual, a sede da antiga capitania passou oficialmente a se chamar Vila Velha, marcando o contraste com a capital que havia migrado para Vitória.

O município foi distrito de Vitória entre 1930 e 1940 e só recuperou a autonomia em 1947. O crescimento explodiu na segunda metade do século XX, segundo dados do histórico oficial da Câmara Municipal. Hoje a cidade é dividida em cinco distritos (Centro, Argolas, Ibes, São Torquato e Jucu) e ocupa o segundo lugar em população no Espírito Santo, atrás apenas de Serra.

Quem deseja conhecer um dos destinos litorâneos mais completos e históricos do Espírito Santo, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Tá sabendo?, que já conta com mais de 7 mil visualizações , onde é apresentado um guia completo sobre a qualidade de vida e a história da cidade fundada em 1535 , destacando ícones como o majestoso Convento da Penha , as famosas praias da orla capixaba , a tradição gastronômica da moqueca e dos chocolates Garoto , além da infraestrutura que conecta a região à capital

Por que tanta gente troca a capital pela cidade mais antiga do estado

Vila Velha tem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,800, considerado muito alto, e registrou 467.722 habitantes no censo de 2022 do IBGE. A cidade fica a cerca de 5 km de Vitória pela Terceira Ponte, uma das mais altas do Brasil, com aeroporto Eurico de Aguiar Salles a 15 minutos da Praia da Costa.

São 32 km de litoral em uma área de 209,9 km², com 11 Áreas de Preservação Permanente protegendo trechos de Mata Atlântica e restinga, segundo o portal oficial. As praias urbanas vão da Praia da Costa, mais movimentada, à Praia de Itaparica, em bairros em expansão imobiliária. A cidade abriga ainda a Universidade Vila Velha (UVV), presente em rankings como o Times Higher Education.

Conheça a cidade onde o Espírito Santo começou a ser Espírito Santo

Vila Velha reúne uma igreja erguida em 1535, um convento que levou 180 anos para ficar pronto, a maior fábrica de chocolate da América Latina e 32 km de praia em um mesmo município. Poucos destinos brasileiros conseguem juntar cinco séculos de história, devoção, indústria e mar à beira da capital.

Você precisa atravessar a Terceira Ponte e conhecer Vila Velha para sentir o aroma de chocolate no ar e enxergar a baía exatamente como Vasco Coutinho a viu em 1535.

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