Unilever alertou Anvisa sobre contaminação na Ypê meses antes

Produtos Ypê suspensos pela AnvisaMarcela Gonzaga/iG

A Unilever, concorrente da Ypê com marcas como Omo e Cif, denunciou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspeitas de contaminação microbiológica em produtos da Ypê meses antes de a agência determinar o recall e suspender a fabricação de itens líquidos da marca.

Os documentos, revelados pela Folha de S.Paulo, mostram que a multinacional informou ao governo, ainda em outubro de 2025, ter encontrado a bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em lotes da linha Tixan Ypê Express fabricados pela Química Amparo, dona da Ypê.

Na denúncia enviada também à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a empresa fala em “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores” e relata um possível “recolhimento silencioso” de produtos no mercado.

A descoberta aconteceu após análises internas da própria Unilever e testes conduzidos pelo laboratório Charles River.

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Os lotes analisados eram das versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, todos com validade até junho de 2027.

Na época, o caso ainda não era público. A situação só ganhou dimensão nacional neste mês, quando a Anvisa mandou suspender a fabricação, venda e distribuição de detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos produzidos na fábrica da Ypê em Amparo (SP).

A agência afirmou ter encontrado falhas graves nos sistemas de controle de qualidade da empresa e determinou o recolhimento de lotes específicos da marca.

Novas análises ampliaram suspeitas

Meses depois da primeira denúncia, a Unilever voltou a procurar as autoridades sanitárias.

Em março deste ano, a multinacional afirmou ter encontrado sinais de contaminação em outros 14 lotes de produtos da Ypê. Os testes, segundo os documentos, foram feitos pelo laboratório Eurofins.

Entre os itens citados aparecem versões do Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Ypê Express, Ypê Power Act e detergente lava-louças neutro.

Segundo a denúncia, todos os lotes apresentaram presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma citada posteriormente pela própria Anvisa nos produtos alvo do recall.

Os documentos também mencionam traços genéticos de outras bactérias em sete dos lotes analisados, entre elas Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii.

A Unilever pediu à Anvisa a ampliação do recall e a abertura de investigação contra a Química Amparo.

Anvisa encontrou 76 irregularidades

Depois das denúncias, fiscais da Anvisa fizeram inspeções na unidade da Ypê em Amparo, no interior paulista.

Segundo a agência, foram identificadas 76 irregularidades no complexo industrial.

Os problemas envolviam controle microbiológico, rastreabilidade, limpeza industrial, produção e garantia da qualidade. A Anvisa também falou em risco de contaminação microbiológica em mais de 100 lotes.

Na quarta-feira (13), a Diretoria Colegiada da agência adiou para sexta-feira (15) o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo contra a suspensão.

Em reunião realizada em Brasília nesta semana, representantes da Ypê disseram à Anvisa que a empresa iniciou 239 ações corretivas na fábrica.

Segundo a agência, a companhia afirmou que centenas de funcionários passaram a atuar em operações de limpeza, manutenção e adequação das linhas de produção após as inspeções.

O que diz a Ypê

A Ypê afirma que possui laudos e testes independentes que atestam a segurança dos produtos.

A empresa também declarou que mantém diálogo com a Anvisa e que espera reverter a decisão da agência “no menor prazo possível”.

A orientação da Anvisa é para que consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos atingidos pelo recall e procurem os canais de atendimento da fabricante.

O iG entrou em contato  com a Unilever e com a Ypê e aguarda retorno.

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