
Polícia prende suspeito de matar mulher em quarto de hotel em Piracicaba
O Tribunal de Justiça (TJ) condenou Marcelo Maciel, de 45 anos, a pena de 34 anos e oito meses de prisão em regime fechado por matar a mulher, Laise Vieira de Andrade, de 33 anos, enquanto estavam hospedados em um hotel de Piracicaba (SP). A decisão ocorreu nesta quarta-feira (13) em júri que durou cerca de 13 horas. A defesa deverá recorrer.
O réu respondeu pelos crimes de feminicídio e tortura. A vítima foi encontrada no quarto do hotel na Vila Independência em Piracicaba com sinais de asfixia. Em detalhes da denúncia, promotor descreve que Laise sofreu fraturas e teve traumatismo craniano após ser espancada pelo réu.
Sofrimento intenso antes de morrer’, diz promotor
O crime ocorreu em novembro de 2022. Relembre o caso aqui. Marcelo Maciel foi preso no dia 1º de dezembro de 2022, após ficar dois dias foragido.
No relatório da denúncia, o promotor Aluisio Antonio Maciel, descreveu detalhes sobre o crime. O casal teve uma discussão no quarto onde estava hospedado.
” Em atitude covarde, [Marcelo] passou a espancá-la, submetendo-a a intenso sofrimento físico desmedido e brutal. Por diversas vezes, golpeou a região da cabeça e da face de Laise, vindo a lhe causar múltiplas fraturas em seus dentes e traumatismo craniano, como forma de castigo pessoal pelos contatos mantidos com outros homens”, detalhou.
Tortura com garrafa de Coca-Cola
“Não contente com os ferimentos produzidos, em evidente progressão criminosa, decidiu matar a vítima com a maldade que lhe era peculiar. Para isso, apoderou-se de uma garrafa de Coca-Cola e enfiou na boca de Laise. Depois, pegou um saco plástico, amarrou em sua cabeça e a esganou até a morte”, finalizou.
Defesa
Ao g1, a defesa do condenado afirmou vai entrar com recurso da decisão.
“A defesa se manifesta pela inconformidade da decisão, e informa que dentro do prazo legal irá apresentar o recurso competente”, disse a advogada Alexandra Mattos.
Júri
O tribunal de Justiça iniciou os trabalhos por volta das 9h e terminou perto das 22h, segundo informou o promotor Aluisio Antonio Maciel, autor da denúncia.
“Foi uma investigação séria, um trabalho técnico das forças de segurança e uma decisão soberana dos jurados, que compreenderam a dimensão humana e social desse caso. Hoje, a sociedade piracicabana recebeu uma resposta à altura da barbárie praticada”, afirmou o promotor.
Segundo informações registradas na denúncia do Ministério Público (MP), o casal mantinha relacionamento havia cerca de um ano, período marcado por agressões, ameaças e episódios de violência doméstica motivados por ciúmes e pelo comportamento possessivo do condenado.
“Não se tratou apenas de um homicídio. Foi um feminicídio marcado por extrema crueldade, praticado em contexto de violência doméstica, com sofrimento físico intenso imposto à vítima antes de sua morte”, detalhou o promotor.
Suspeito de feminicídio em Piracicaba é preso
Rodrigo Pereira/g1
Medida protetiva
A vítima chegou a obter medida protetiva, mas o homem continuou a persegui-la e ameaçá-la, inclusive estendendo intimidações a familiares da mulher.
“Hoje, o Tribunal do Júri de Piracicaba deu uma resposta firme, serena e justa diante de um crime de extrema brutalidade, que chocou profundamente toda a cidade. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese do Ministério Público, reconhecendo a gravidade concreta dos fatos e a violência empregada contra a vítima”, detalhou.
“Esse julgamento tem importância não apenas pela responsabilização criminal do autor, mas também pela mensagem que transmite à sociedade: crimes dessa natureza não serão naturalizados, relativizados ou esquecidos. A atuação firme das instituições e a resposta do Tribunal do Júri reafirmam a proteção à vida das mulheres e o compromisso da Justiça com as vítimas de violência doméstica e familiar”, completou.
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Crime
O corpo da vítima foi localizado por funcionários do hotel. O casal estava hospedado desde novembro, onde estariam morando temporariamente. Após o crime, o suspeito chegou a procurar o advogado e confessou o que tinha feito, mas não se entregou à polícia e era considerado foragido.
O suspeito ficou escondido em uma casa abandonada e sem móveis, dormindo em um colchão, até decidir se entregar.
Na época, o reú afirmou à polícia que cometeu o crime após desentendimento conjugal que teve com a vítima e decidiu se entregar por acreditar que seria localizado. Também conforme a PM, ele possui antecedentes criminais por furto e estelionato.
Câmeras flagraram suspeito em hotel de Piracicaba
Polícia Civil
Em silêncio durante depoimento
Segundo a delegada Olívia dos Santos Fonseca, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, durante esse período, Marcelo preferiu ficar em silêncio durante o primeiro depoimento.
Imagens mostram suspeito deixando hotel
Câmeras de segurança flagraram o momento em que o suspeito de feminicídio deixou o hotel onde o corpo da vítima foi encontrado, em Piracicaba, na tarde de terça. Segundo relatos à Polícia Civil, ele afirmou a funcionários do estabelecimento que ela estava descansando e não era para incomodá-la.
Imagens mostram suspeito deixando hotel onde mulher foi encontrada morta em Piracicaba
Segundo funcionários, o casal iniciou a hospedagem em 17 de novembro e prorrogou a estadia por algumas vezes sob justificativa de que a casa deles estava em obra.
Câmeras de segurança às quais a polícia teve acesso mostram o homem no térreo do hotel por volta das 12h30. Após deixar a hospedagem, imagens de outra câmera mostram ele correndo por uma rua nas imediações.
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De acordo com a Polícia Civil, após sair do hotel, Maciel foi ao escritório de seu advogado, onde assumiu o crime, e depois fugiu.
O advogado ligou para a delegada Olívia dos Santos Fonseca, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, e informou sobre a confissão. O quarto estava bastante bagunçado e o interfone estava com os fios cortados.
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