
Um ataque massivo com mísseis e drones lançado pela Rússia contra a capital ucraniana deixou ao menos 24 mortos e 47 feridos, informaram nesta sexta-feira (15/05) os serviços de emergência da Ucrânia. O ataque agrava ainda mais o cenário de guerra e reduz as perspectivas de um cessar-fogo no conflito.
Na noite de quinta-feira, moradores de Kiev foram surpreendidos por sirenes de ataque aéreo, seguidas de horas de explosões intensas e clarões no céu. Jornalistas relataram cenas de pânico, com civis buscando abrigo em estações de metrô.
De acordo com a força aérea ucraniana, Moscou lançou 675 drones e 56 mísseis, a maior parte direcionada à capital. As defesas aéreas teriam conseguido interceptar a maioria dos ataques, abatendo 652 drones e 41 mísseis, embora o volume do bombardeio tenha causado destruição significativa.
Prédio residencial de 9 andares destruído
Entre os locais atingidos estão residências, uma escola, uma clínica veterinária e outras infraestruturas civis, segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Um edifício residencial foi completamente destruído, do primeiro ao nono andar.
“Tudo estava em chamas. As pessoas gritavam, pediam ajuda”, relatou Andriy, morador da cidade, ainda em estado de choque próximo aos escombros de um prédio.
Equipes de resgate trabalharam ao longo da quinta-feira em meio a cenas caóticas, retirando feridos e corpos de debaixo dos destroços. Apenas em um edifício, sete pessoas morreram, incluindo uma criança, informou a polícia.
O governo ucraniano declarou esta sexta-feira com um dia de luto em Kiev, com bandeiras a meio mastro e suspensão de eventos públicos.
Troca de ataques e escalada contínua
O episódio faz parte de uma sequência de ataques aéreos mútuos entre Rússia e Ucrânia. Autoridades russas relataram que bombardeios ucranianos atingiram a cidade de Ryazan, deixando ao menos três mortos e 12 feridos.
Além de Kiev, regiões ucranianas como Odessa, Kherson e Kharkiv também registraram vítimas após ataques russos.
Zelenski afirmou que a ofensiva demonstra que Moscou não busca encerrar o conflito. “Essas não são ações de quem acredita que a guerra está chegando ao fim”, declarou, pedindo maior reação internacional.
Reação internacional
Diversos países, incluindo Reino Unido, França, Estônia, Letônia, Finlândia e Holanda, condenaram os ataques. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os bombardeios contra civis evidenciam a incapacidade da Rússia de avançar no campo militar.
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acusou Moscou de “zombar abertamente” dos esforços de paz.
A Rússia, por sua vez, declarou que os ataques tiveram como alvo infraestruturas energéticas e instalações ligadas ao setor militar ucraniano.
Impacto nas negociações de paz
A nova escalada ocorre poucos dias após uma breve trégua de três dias mediada pelos Estados Unidos, que havia gerado expectativas de uma possível redução das hostilidades. No entanto, o cessar-fogo foi marcado por acusações de violações por ambos os lados e rapidamente desmoronou.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou mais de 1.500 drones em apenas dois dias, indicando uma intensificação das operações militares.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, classificou o ataque como “bárbaro” e afirmou que a ofensiva demonstra que a Rússia segue apostando em “agressão e terror” em vez de negociações.
Troca de prisioneiros
Rússia e Ucrânia informaram, também nesta sexta-feira, sobre uma nova troca de 205 prisioneiros de guerra de cada lado.
“Em 15 de maio, 205 militares russos retornaram do território controlado pelo regime de Kiev. Em troca, foram entregues 205 prisioneiros de guerra das Forças Armadas da Ucrânia”, informou o Ministério da Defesa russo.
A fonte relatou a troca quando os prisioneiros russos já se encontravam em Belarus, onde receberam “a ajuda psicológica e médica necessárias”.
Segundo o Ministério da Defesa russo, o intercâmbio foi possível graças à mediação humanitária dos Emirados Árabes Unidos, que já facilitaram outras trocas deste tipo.
A troca foi confirmada pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, assim que os prisioneiros de seu país entraram em território nacional.
“É a primeira etapa da troca de 1 mil por 1 mil”, disse Zelenski em suas redes sociais, em referência ao intercâmbio acordado com o presidente dos EUA, Donald Trump, em contrapartida à adesão de Kiev à trégua declarada por Moscou por ocasião da celebração, em 9 de maio na Rússia, do aniversário da vitória soviética sobre os nazistas.
A trégua se estendeu até 11 de maio. A parte ucraniana havia expressado o temor de que os russos não cumprissem a troca acordada.
Segundo Zelenski, muitos dos que retornaram à Ucrânia neste intercâmbio estavam em cativeiro desde 2022, ano em que começou a invasão russa em grande escala.
A troca anterior, de 193 prisioneiros de cada lado, ocorreu no último dia 24 de abril.
A agência de notícias russa RIA reportou também nesta sexta-feira que Rússia e Ucrânia realizaram a troca de corpos de soldados mortos na guerra, com Moscou recebendo 41 corpos e a Ucrânia, 526.
md (AFP, EFE)
