
Poucas frases são tão reconhecíveis na cultura do consumo brasileiro quanto o clássico “Só tem Pepsi, pode ser?”. Durante duas décadas, ela acompanhou pedidos feitos nas lojas do Burger King — e se transformou quase em um símbolo involuntário da rede no país. Agora, o cenário mudou oficialmente: o Burger King anunciou a Coca-Cola como sua nova parceira de bebidas no Brasil e encerrou uma parceria de 20 anos com a Pepsi.
A decisão, mais do que uma simples troca de refrigerante, revela um movimento estratégico guiado diretamente pelo comportamento do consumidor. A mudança começou a ser implementada em maio de 2026 e será feita gradualmente nas cerca de 982 unidades da rede no país. A princípio, os refrigerantes chegam em versão lata, enquanto o tradicional sistema de free refill passa por adaptação para operar com os produtos da Coca-Cola.
AlmapBBDO resgata o “Pode ser?” em campanha de virada
A troca também virou combustível para uma campanha carregada de memória afetiva e ironia de mercado. Criada pela AlmapBBDO, a ação reaproveita justamente o icônico “Pode ser?” — slogan eternizado pela Pepsi em 2010.
Na época, a campanha transformava a condição de “segunda opção” em posicionamento de marca. Agora, 16 anos depois, a mesma agência usa a mesma frase para comunicar exatamente o oposto: no Burger King, finalmente “pode ser” Coca-Cola de verdade.
O filme brinca com uma situação comum nos restaurantes brasileiros: o cliente pede Coca-Cola, há um silêncio constrangedor e vem a resposta “Só temos Pepsi, pode ser?”. A campanha transforma esse desconforto cotidiano em anúncio.
Coca-Cola amplia presença no fast food
A movimentação reforça uma mudança importante no mercado de fast food. A Coca-Cola segue como a marca de bebidas mais escolhida pelos consumidores do país, segundo dados recentes da Kantar, e agora amplia sua presença em uma das maiores redes de alimentação do Brasil.
Além da Coca-Cola tradicional e sem açúcar, o Burger King também passará a oferecer Sprite, Fanta Guaraná e Fanta Laranja. A transição completa — que inclui o free refill — deve ocorrer nos próximos meses.
Redes sociais transformaram a troca em evento cultural
Mais do que uma atualização operacional, a mudança ganhou status de acontecimento pop nas redes sociais. A decisão rapidamente dominou comentários no X, TikTok e Instagram, misturando humor, nostalgia e debates entre fãs das duas gigantes do refrigerante.
A repercussão mostra como escolhas aparentemente simples de consumo passaram a ocupar espaço emocional e simbólico no ambiente digital. Em tempos de hiperconectividade, até a troca de um refrigerante se transforma em narrativa de marca.
No fim, o Burger King parece ter entendido algo que o marketing contemporâneo vem reforçando há anos: ouvir o consumidor deixou de ser diferencial — virou requisito básico de permanência cultural.
