Morte de mãe e filha no PR: testemunha relatou que mulher sofria violência psicológica e que ‘não aguentava mais o casamento’, diz delegada


Polícia concluí que marido jogou carro em rio de propósito
Uma amiga de Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, disse em depoimento que ela sofria violência psicológica e havia relatado que “não aguentava mais o casamento”. A testemunha foi ouvida pela delegada Iasmin Gregório durante a investigação do acidente que matou Iria e a filha Maria Laura Roman Talaska, de três anos.
As duas estavam em um carro que caiu no Rio Paraná, em Porto Rico, no noroeste do estado.
O marido de Iria, Márcio Talaska, de 38 anos, foi indiciado por feminicídio, pela morte da esposa, e por vicaricídio, pela morte de Maria Laura. A Polícia Civil concluiu que ele jogou o carro da família no rio de propósito. Ele está preso preventivamente desde o dia 8 de maio.
Ao g1, a defesa de Márcio disse que irá se manifestar somente após analisar o processo.
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🔎Vicaricídio é o crime cometido contra uma pessoa que está sob a guarda de uma mulher para causar sofrimento a ela. A delegada explicou que a tipificação se encaixa no caso porque houve possibilidade de dolo: Iria poderia não ter morrido e Maria Laura, sim.
“Ela [amiga] relata que, apesar de não ter nada formalizado, como um boletim de ocorrência ou medida protetiva, o relato dela é que a Iria já estava em uma situação de violência psicológica e que já não estava aguentando mais o casamento. Inclusive na quinta-feira, três dias antes do fato, ela [Iria] manda mensagens pra essa amiga chorando e dizendo que não aguenta mais”, contou a delegada.
A testemunha também relatou que houve episódios em que Iria chegou triste ao trabalho e com hematomas pelo corpo.
Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska
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No total, 11 pessoas foram ouvidas ao longo da investigação, como familiares e amigos que estavam com o casal. O inquérito, agora, é encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que pode, ou não, denunciar Márcio.
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Antes de carro cair em rio, música causou “clima de tensão” entre o casal
No dia em que o carro com a família caiu no rio, o casal estava em uma confraternização em Porto Rico.
Duas pessoas ouvidas durante a investigação informaram que um “clima de tensão” se formou entre o casal, depois que Iria escolheu uma música sobre traição para cantar. Isso fez Marcio deixar o local sem se despedir. Em seguida, a família foi embora.
“Essa música possui trechos que relatam um homem narcisista, egoísta, que manipula as emoções, de traição, de várias personalidades. Ela canta a musica integralmente, conforme o relato das testemunhas, e partir disso o clima pesa. Aí que ele sai da casa, vai pro carro, faz um volta na frente da casa, dirigindo o veículo, e espera Iria sair com a criança. Ai eles [testemunhas] relatam que a Iria sai chorando e entra no banco do carona, e a criança no banco de trás”, explica a delegada.
O carro com a família caiu no rio depois que eles deixaram a festa. Márcio foi o único que conseguiu se salvar.
A delegada afirma que considera o fato como uma linha de investigação da motivação do crime.
Laudos apontam que carro não estava com problemas e vítimas morreram afogadas
A delegada explicou que os laudos não identificaram problemas no carro que pudessem ter impossibilitado a frenagem antes de o veículo cair na água. Também não há indícios de que Márcio estava perdido durante o trajeto, com base na análise das câmeras de segurança.
“Não havia um motorista desorientado, [Márcio] não perguntou qualquer tipo de orientação para sair da cidade. Então, a Polícia Civil constata que não foi um acidente, foi proposital, e ele que estaria dirigindo o veículo”, Iasmin relatou.
A delegada ressaltou ainda que foi possível perceber que Márcio demorou para pedir ajuda, depois que o carro estava submerso.
O depoimento de um pescador que estava no local e as imagens gravadas pelo sistema de segurança confirmaram que o homem saiu nadando “com uma certa habilidade”, segundo Iasmin. Depois, ao ver que havia uma pessoa no flutuante, gritou: “Morreu minha mulher e minha filha”.
“E eu acho que, na condição humana, um pai, uma mãe, tentariam salvar o filho primeiro antes de sair do veículo”, a delegada considerou.
Iasmin também informou que laudos necroscópicos indicaram que Iria e Maria Laura morreram afogadas e não tinham lesões anteriores.
Como foram as mortes
Marido que estava com esposa e filha em carro que caiu em rio do Paraná é preso
Iria e Maria Laura foram encontradas mortas em um carro submerso que caiu no Rio Paraná, em Porto Rico, na noite do dia 2 de maio. A queda foi filmada. Assista acima.
Leia mais: Quem eram mãe e filha encontradas mortas dentro de carro submerso em rio do Paraná
A princípio, Márcio mentiu no depoimento ao dizer que era Iria quem dirigia o carro e que ela se perdeu no caminho para casa. Porém, as câmeras de segurança da região confirmaram que o marido era o motorista. Veja abaixo:
Imagem que comprova que Márcio estava dirigindo o carro, com Iria e Maria Laura como passageiras.
Polícia Civil
As apurações seguintes mostraram o trajeto realizado pelo carro, comprovando que o condutor seguiu em linha reta e acessou as ruas próximas ao rio sem desviar. No total, ele dirigiu por oito minutos antes de o automóvel chegar à rampa e entrar na água. Confira:
Imagem divulgada pela Polícia Civil que mostra o trajeto feito pelo carro que caiu no Rio Paraná.
Reprodução/Google Maps
Infográfico – Local onde carro com mãe e filha mortas foi encontrado submerso no Rio Paraná, em Porto Rico.
Arte/g1
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