Trabalhador rural cai de ponte e desaparece no Rio Capibaribe após abertura de barragem; moradores fazem protesto


Barragem de Carpina abre comporta e homem é arrastado pela força da água
Um homem desapareceu após cair no Rio Capibaribe, em Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Ao g1, parentes e um amigo do trabalhador rural Marcelo Francisco Silva, de 50 anos, disseram que ele atravessava uma ponte na fazenda onde trabalhava quando sofreu o acidente.
O caso aconteceu na sexta-feira (15), durante a abertura de uma comporta da Barragem de Carpina após as chuvas que atingiram o estado no início do mês (veja vídeo acima). Segundo a família, o governo não avisou com antecedência que a represa ia ser aberta (saiba mais abaixo). Moradores fizeram um protesto na manhã deste sábado (16).
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Procurado, o governo de Pernambuco informou, por meio de nota, que cumpriu “integralmente” o Protocolo de Controle de Cheias, com a comunicação prévia por meio de publicações em redes sociais e textos enviados à imprensa (veja resposta abaixo). De acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos, a comporta foi aberta em 70 centímetros.
O g1 e a TV Globo encontraram avisos publicados pela pasta na tarde da sexta (15), quando a comporta já tinha sido aberta e o homem estava desaparecido. A secretaria foi procurada para informar se outras publicações foram feitas antes e por quais meios, mas, até a última atualização desta reportagem, não enviou resposta aos questionamentos. O órgão também não confirmou o horário de abertura da represa.
Um dos amigos que estavam com a vítima, identificado apenas como Dinho, contou que Marcelo estava atravessando a ponte com colegas de trabalho quando escorregou e caiu, por volta das 11h.
De acordo com o trabalhador, a água já estava atingindo a ponte no momento do acidente, que ocorreu na propriedade conhecida como “Fazenda de Dunga”. “Foi quando a gente voltou para almoçar. A barragem estava cheia, aí passamos e ele ficou atrás”, contou.
Ainda segundo Dinho, outro colega que estava presente pulou para tentar resgatar Marcelo, mas não conseguiu por causa da correnteza. Por saber nadar, ele retornou em segurança.
O Corpo de Bombeiros atua nas buscas da vítima. As operações de resgate na água foram interrompidas por causa da correnteza, sendo realizadas apenas por drones e por monitoramento das margens do rio.
Barragem de Carpina fica em Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de Pernambuco
Reprodução/TV Globo
Abertura de barragem
Irmã de Marcelo, Sandra Silva disse que os funcionários da fazenda não haviam recebido qualquer aviso de que a barragem seria aberta.
“Todo ano acontece de abrir a comporta, mas, dessa vez, não avisaram aos trabalhadores que estavam do outro lado trabalhando, para eles voltarem, já que a barragem ia ser aberta. Para eles poderem sair do outro lado, para não ficar [ilhados]. Não foi avisado para eles”, disse.
Marcelo morava com a mãe no Sítio Chão de Santana 2, que fica na cidade de Lagoa do Carro, próximo do local do acidente. Segundo Sandra, Marcelo não sabe nadar e foi arrastado pela correnteza.
“A gente já perdeu a esperança de encontrar ele com vida. Mas quero que ache o corpo para pelo menos enterrar”, disse.
Moradores de Lagoa do Carro fizeram, neste sábado (16), um protesto na PE-90, próximo às margens da Barragem de Carpina. Os manifestantes queimaram pneus e interditaram a pista, que foi liberada no fim da manhã.
O que diz o governo
Por meio de nota, o governo de Pernambuco informou que:
o Corpo de Bombeiros enviou equipes de salvamento ao local para fazer o reconhecimento da área e iniciar as buscas da vítima;
em razão do forte volume de água e da intensidade da correnteza, as operações precisaram ser temporariamente suspensas por questões de segurança, mas foram retomadas neste sábado (16);
uma unidade de salvamento faz o monitoramento às margens do rio enquanto outra equipe atua com o emprego de drone para reconhecimento da área e apoio às buscas;
as buscas submersas não são aplicáveis no momento e, diante das condições observadas no local, não houve necessidade de fechamento das comportas;
o Protocolo de Controle de Cheias – Operação Carpina foi integralmente cumprido durante o processo de abertura da comporta, incluindo a comunicação prévia aos municípios e órgãos competentes, à população, por meio de publicações em redes sociais, e à imprensa.
O g1 perguntou à Secretaria de Recursos Hídricos por que a comporta não pode voltar a ser fechada para reduzir o volume de água e possibilitar as operações de resgate no Rio Capibaribe, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
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