
Empresa de transporte é condenada por descumprir descanso obrigatório de motoristas
reprodução
A Justiça do Trabalho condenou uma empresa de logística que atua em Mato Grosso do Sul e São Paulo por submeter motoristas de caminhão a jornadas consideradas exaustivas no transporte de minério na região de Corumbá (MS). A decisão atendeu a uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS). Ainda cabe recurso.
Segundo o processo, os motoristas trabalhavam além do limite legal de horas extras e não recebiam os períodos obrigatórios de descanso. A sentença foi assinada pela juíza Fabiane Ferreira, da Vara do Trabalho de Corumbá.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp
De acordo com a investigação, havia casos de funcionários trabalhando em turnos noturnos das 17h às 5h, por até seis dias seguidos, sem pausas adequadas para alimentação e repouso. Os caminhões transportavam cargas superiores a 60 toneladas durante a madrugada em rodovias e estradas rurais.
Fiscalizações da Superintendência Regional do Trabalho confirmaram irregularidades, como jornadas acima de 12 horas por dia, acúmulo de mais de 100 horas extras mensais e falta de descanso semanal. Em alguns casos, motoristas chegaram a trabalhar oito, 11 e até 12 dias consecutivos sem folga.
A Justiça determinou que a empresa deixe de exigir jornadas acima de duas horas extras diárias — limite que só pode chegar a quatro horas em situações previstas em acordo coletivo. A decisão também obriga o cumprimento de 11 horas mínimas de descanso entre jornadas e descanso semanal de 24 horas consecutivas.
Caso as regras sejam descumpridas, foi fixada multa de R$ 10 mil por irregularidade e por trabalhador afetado. Os valores serão destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou a projetos sociais.
Na decisão, a magistrada afirmou que as jornadas excessivas não eram casos isolados, mas parte do modelo de operação adotado pela empresa, colocando em risco a saúde dos trabalhadores e a segurança nas estradas.
O entendimento da sentença também seguiu decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considera inconstitucional flexibilizar descansos de motoristas profissionais de forma habitual.
Vídeos em alta no g1
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
