Advogado mantém tradição da alvorada da Festa do Divino em Mogi


Miranda herdou a boina que João Pires usava nas alvoradas
Castelo diafragma/arquivo pessoal
A devoção ao Divino Espírito Santo une gerações em Mogi das Cruzes. Após a morte de João Pires, em 2022, o advogado Luiz Fernando Prado de Miranda, de 50 anos, assumiu a missão de conduzir os cânticos da alvorada da Festa do Divino, tradição que Pires manteve por 28 anos.
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Antes da sucessão nos cânticos da alvorada, Miranda e João Pires já tinham uma relação próxima construída pela fé e pela participação na Festa do Divino.
A amizade começou nas atividades da Igreja Nossa Senhora do Carmo, onde Pires e a esposa, Ana, conviviam com os pais de Miranda. Com o tempo, os laços entre as famílias se fortaleceram.
“Crescemos juntos. As filhas do João, eu e meus irmãos”, relembrou Miranda.
Segundo ele, a ligação também envolve parentesco: o avô da esposa dele era irmão de Pires.
João Pires foi responsável pelos cânticos da alvorada por quase 30 anos
Andrea Siqueira/arquivo pessoal
A voz da alvorada
Luiz Fernando Prado de Miranda conta que a família de João Pires sempre esteve ligada à Festa do Divino. Alguns irmãos dele foram festeiros e capitães-de-mastro, e Pires também participou ativamente das celebrações ao longo da vida.
“O João sempre foi um devoto do Divino e um católico exemplar. Ele ajudava muito na festa”, disse.
Miranda seguiu um caminho parecido. Apesar de frequentar a festa desde criança, começou a atuar mais intensamente aos 16 anos. Ele participava das alvoradas, das procissões e trabalhava como voluntário na Entrada dos Palmitos.
Com o passar dos anos, Miranda passou a acompanhar João Pires nos cânticos da alvorada. Depois da morte do amigo, recebeu da família um dos símbolos mais marcantes dele na celebração: a boina usada durante o cortejo.
“Ele usava uma boina por causa do frio. A boina era tradicional dele. Quando ele morreu, a família me entregou a boina e disse que agora eu seguiria com a alvorada”, contou.
Miranda cantando os cânticos da Alvorada
Castelo diafragma/arquivo pessoal
Atualmente, Miranda é responsável pelos cânticos e também ajuda na organização da alvorada. Durante a Festa do Divino, ele precisa conciliar a rotina de voluntário com o trabalho como advogado e professor universitário.
“O Espírito Santo nessa época dá muita força para a gente. O cansaço só vem depois que acaba a festa. Durante a festa, é tudo lindo, muito digno, é muito bonito ver a fé. Já acompanhei a bandeira [do Divino] em hospitais, em escolas e tenho lembranças muito bonitas”, afirmou.
Pires e Miranda durante os cânticos da alvorada
Andrea Siqueira/arquivo pessoal
A esposa, os filhos e os sogros de Miranda também ajudam na festa, desde a organização até a distribuição de lembranças para os devotos.
“Minha casa acaba fazendo parte da festa. Todo mundo ajuda de alguma forma.”
Após a morte de Pires, Miranda assumiu os cânticos da Alvorada
Castelo diafragma/arquivo pessoal
Luiz Fernando Prado de Miranda avalia que a Festa do Divino Espírito Santo se tornou uma das principais manifestações religiosas e culturais de Mogi das Cruzes.
“Somos privilegiados, porque Mogi das Cruzes é a morada do Divino Espírito Santo. É uma festa muito bonita, de origem da igreja católica, mas que hoje congrega e acolhe pessoas de outras religiões, porque aqui é a bondade e a fé no Divino”, destacou.
Miranda participa da festa do Divino desde criança
Castelo diafragma/arquivo pessoal
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