
Sargento Isnard Werner, que morreu durante missão de mergulho em Cruzeiro do Sul, é homenageado em painel no Corpo de Bombeiros do Acre em Rio Branco
Efraim Viana/Arquivo pessoal
É confortante saber que o nome, a história e tudo o que ele foi continuam vivos na memória de tantas pessoas.
Uma pintura em graffiti instalada no prédio do comando-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), em Rio Branco, passou a simbolizar a memória e o legado deixados pelo 2º sargento Isnard Werner, militar que morreu durante uma operação de mergulho em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, em 29 de março deste ano.
Com cores fortes e traços marcantes, a obra foi produzida pelo artista visual Matias Souza e ocupa cerca de 140 metros quadrados da estrutura da corporação.
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O sargento tinha 35 anos, era natural de Cruzeiro do Sul e integrava a equipe especializada da corporação desde 2013. Ao longo de 13 anos de atuação, participou de diversas missões de resgate, atuou como instrutor de mergulho e ajudou na formação de outros militares.
A morte dele causou forte comoção entre bombeiros, familiares e moradores do estado. Isnard morreu durante uma operação de recuperação de uma embarcação submersa em uma região de difícil acesso do Rio Juruá Mirim. Segundo a corporação, ele mergulhava a cerca de três metros de profundidade quando não retornou à superfície. O laudo apontou afogamento.
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Memória eternizada
Agora, a lembrança do empenho de Isnard também está registrada na sede da corporação, transformada em arte urbana, concluída em 3 de maio. Segundo o artista Matias Souza, idealizador do projeto, o trabalho foi pensado como uma forma de reconhecimento aos profissionais que colocam a própria vida em risco para salvar outras pessoas.
“Ver os colegas de farda olhando para o painel, emocionados, lembrando das histórias e dos momentos vividos com o Isnard, foi algo muito impactante pra mim. Em vários momentos dava pra sentir que não era só uma obra sendo entregue, mas uma memória sendo eternizada ali naquele espaço”, disse.
Ainda segundo Matias, a missão de eternizar Isnard na corporação onde fez carreira ficou marcado na trajetória dele, principalmente pelo fato de a partida do militar ter sido recente. A imagem usada como base para a arte foi, inclusive, inspirada em uma ocorrência a qual Isnard participou.
“Espero que eles se sintam representados, acolhidos e orgulhosos da história que construíram ao lado dele. A arte tem esse poder de manter viva a memória das pessoas e eu queria justamente isso: que, ao olhar para o painel, eles lembrem do Isnard não apenas pela perda, mas pelo legado, pela coragem e pela dedicação que ele deixou. Espero que seja um espaço de homenagem, respeito e também de inspiração para todos que passarem por ali”, destacou.
Artista Matias Santos e a capitã Mirla Santos, comandante do 1º Batalhão, durante entrega do painel em Rio Branco
Agnes Cavalcante/Arquivo pessoal
‘Honrou a farda com atitudes’
O sentimento é compartilhado pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Acre, coronel Charles Santos, que destacou o simbolismo em eternizar a presença de Isnard na corporação.
“Para os nossos militares, o legado do Sargento Isnard é um chamado permanente à responsabilidade, à disciplina, ao amor pela profissão e ao compromisso com a vida. Ele representa aquele bombeiro que não apenas vestiu a farda, mas honrou a farda com atitudes, com trabalho e com exemplo”, frisou.
Pintura homenageia Isnard Werner, sargento do Corpo de Bombeiros que morreu em missão de mergulho no Acre
Efraim Viana/Arquivo pessoal
Ainda segundo o comandante-geral, a homenagem também cumpre um papel pedagógico e institucional no local.
“Ela fará com que as futuras gerações de bombeiros militares conheçam sua história, compreendam o valor do sacrifício, respeitem a memória daqueles que vieram antes e entendam que a nossa Corporação é construída por homens e mulheres que entregam suas vidas ao serviço da sociedade”, complementou.
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‘Emoção’
Além da carreira operacional, Isnard também era lembrado pela proximidade com amigos, colegas e pela dedicação à família. Casado, ele deixou a esposa, Caroline Bezerra, e um filho de um ano e cinco meses.
“Meu marido gostaria de ser lembrado pelo coração que tinha. Pela forma humana, generosa e verdadeira com que tratava as pessoas. Ele vestia a farda com honra, coragem e amor, mas acima de tudo, era alguém que sempre estava disposto a cuidar do próximo. Acho que o maior legado que ele deixou foi exatamente esse: o amor pela vida e pelas pessoas”, disse.
A viúva também falou que o reconhecimento acerca da pintura reforça que a trajetória construída por Isnard permanece marcada na memória de colegas, amigos e familiares.
Caroline fala sobre saudade ao lembrar dos momentos vividos com o marido Isnard Werner
Arquivo pessoal
“Ver essa homenagem traz uma emoção impossível de explicar. Ao mesmo tempo em que enche meu coração de orgulho por tudo o que ele representou, também aumenta a saudade de uma forma muito profunda”, afirmou.
Ao lembrar da convivência dentro de casa, a viúva descreveu Isnard como um homem presente e dedicado à família. Segundo ela, mesmo diante da rotina intensa da profissão, o bombeiro fazia questão de demonstrar cuidado nos gestos mais simples.
“A lembrança que mais representa quem ele era é o jeito dele cuidar da gente nos detalhes mais simples. O abraço, as brincadeiras, a preocupação em nos ver bem. Ele tinha um coração enorme. Antes de qualquer missão, a maior prioridade da vida dele sempre foi nossa família. E é assim que eu sempre vou lembrar dele: como o amor e o alicerce da nossa casa”, finalizou.
Caroline Bezerra e o sargento Isnard Werner com o filho de 1 ano durante momento em família
Arquivo pessoal
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