Condomínio com matérias cancerígenas completa 25 anos sem solução

Condomínio Parque Primavera em Campinas SPReprodução: Street View / Google

O que era para ser um condomínio de alto padrão, com piscina, área de lazer e espaços de convivência, acabou se tornando marco de um dos casos ambientais mais antigos de Campinas, em São Paulo. O Condomínio Parque Primavera, no bairro Mansões Santo Antônio, vai completar 25 anos convivendo com uma contaminação por substâncias cancerígenas sem uma solução definitiva.

As obras foram interditadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em outubro de 2001, após a identificação de compostos químicos tóxicos no solo e na água subterrânea da área. Desde então, apenas uma das três torres construídas foi liberada para moradia. As outras duas seguem fechadas.

Hoje, cerca de 150 pessoas vivem no único bloco autorizado. Já as demais estruturas permanecem vazias, enquanto o condomínio enfrenta altos custos de manutenção e um impasse que se arrasta há décadas.

Entenda como surgiu a contaminação

Segundo a Cetesb, o terreno foi ocupado entre 1973 e 1996 pela empresa Proquima Produtos Químicos Ltda., que trabalhava com recuperação de solventes e fabricação de produtos de limpeza.

O órgão ambiental aponta que resíduos químicos teriam sido descartados diretamente no solo por meio de poços de infiltração. Além disso, um incêndio registrado em 1987 provocou derramamento de substâncias tóxicas.

Os compostos encontrados na área são etanos e etenos clorados, produtos que evaporam facilmente e podem causar câncer. A contaminação atingiu não apenas o condomínio, mas também áreas vizinhas.

Mesmo após a interdição, parte do empreendimento permaneceu de pé. Das oito torres previstas originalmente, apenas três chegaram a ser construídas.

Sistema de descontaminação está parado

Uma das tentativas de reduzir os riscos foi a instalação, em 2014, de uma usina subterrânea de extração de gases contaminantes. O sistema funciona por meio de motores que puxam os vapores tóxicos do subsolo e os filtram com carvão ativado antes da liberação do ar.

No entanto, a estrutura está desligada há cerca de dois meses após falhas em equipamentos. Segundo o condomínio, o custo da manutenção é alto e os moradores não conseguem arcar sozinhos com as despesas.

Além da descontaminação, os moradores do bloco liberado também precisam bancar vigilância e conservação das torres interditadas. O condomínio chega perto de R$ 1 mil mensais, mesmo sem oferecer estrutura de lazer completa e nem algo que valha o investimento.

Apesar do abandono, os prédios fechados seguem conservados. Os apartamentos permanecem praticamente intactos, embora a parte elétrica tenha sido furtada logo após a interdição das obras.

Futuro segue indefinido

Enquanto moradores do bloco liberado convivem com restrições e custos elevados, proprietários dos apartamentos interditados acumulam décadas de espera sem conseguir usar os imóveis.

Em abril deste ano, representantes da Prefeitura de Campinas e da Cetesb participaram de uma reunião para discutir alternativas para a área, mas o encontro terminou sem definição concreta.

A Prefeitura informou que aguarda a aprovação de um plano de remediação ambiental exigido pela Cetesb para buscar recursos destinados à descontaminação. O município também afirmou que irá cobrar da construtora responsável o ressarcimento dos investimentos públicos já feitos no local.

Em nota, a administração municipal destacou que o processo é complexo e envolve estudos técnicos, execução de medidas ambientais e acompanhamento contínuo.

Já a Cetesb afirmou que as torres interditadas continuam sem liberação porque ainda não atendem aos padrões de segurança necessários para ocupação residencial. O órgão também informou que a área precisa de novas investigações ambientais e medidas de remediação antes de qualquer autorização de uso.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.