
O acelerador de partículas Sirius, instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), na cidade de Campinas, em São Paulo, ganhou nesta segunda-feira (18) quatro novas linhas de luz síncrotron, ampliando a capacidade do Brasil em pesquisas científicas de alta complexidade. A inauguração contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de autoridades ligadas à área de ciência e tecnologia.
Com o novo avanço, o Sirius passa a operar com 15 linhas de pesquisa em funcionamento. O investimento total nas novas estruturas foi de R$ 230 milhões, sendo R$ 30 milhões vindos do Novo PAC.

Considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no país, o Sirius está entre os poucos aceleradores de partículas de quarta geração existentes no mundo. O equipamento funciona como uma espécie de “supermicroscópio”, capaz de analisar estruturas extremamente pequenas, em escala atômica e molecular.
Estrutura amplia capacidade científica do país
As chamadas linhas de luz síncrotron funcionam como estações de pesquisa. Elas utilizam feixes de luz extremamente brilhantes produzidos pelo acelerador de partículas para estudar materiais, células, proteínas e moléculas em detalhes minúsculos.
Segundo o CNPEM, as novas linhas devem impulsionar pesquisas em áreas estratégicas como saúde, mudanças climáticas, energia, agricultura, nanotecnologia e desenvolvimento de novos materiais.

Além da ampliação científica, o Sirius também é visto como um símbolo da engenharia nacional. De acordo com o governo federal, entre 85% e 90% dos componentes do acelerador foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil.
Conheça as quatro novas linhas
Cada uma das linhas inauguradas terá aplicações específicas dentro da ciência e da indústria.
– Tatu: primeira linha da segunda fase do Sirius, será a primeira fonte de quarta geração do mundo a operar na faixa dos terahertz. Deve contribuir para pesquisas em telecomunicações, computação, materiais quânticos e sistemas biológicos.
– Sapucaia: voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, medicamentos, polímeros, fluidos humanos e terapias. Também será usada em pesquisas ligadas à parceria científica entre Brasil e China.
– Quati: focada em investigações para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de estudos sobre terras raras e minerais críticos.
– Sapê: destinada ao desenvolvimento de materiais avançados usados em áreas como saúde, energia e infraestrutura, incluindo pesquisas com semicondutores e supercondutores voltados à indústria eletrônica.
Sirius ainda deve crescer nos próximos anos
O Sirius foi projetado para abrigar até 38 linhas de luz. Com recursos do Novo PAC, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação prevê novos investimentos para ampliar a estrutura nos próximos anos.

Durante a visita ao CNPEM, Lula também acompanhou informações sobre o Projeto Orion, futuro laboratório de máxima segurança biológica que será o primeiro da América Latina conectado a uma fonte de luz síncrotron. O espaço será destinado a pesquisas com vírus e agentes biológicos de alta periculosidade.
Para realizar os estudos, o Sirius acelera elétrons quase na velocidade da luz dentro de um túnel de aproximadamente 500 metros. Esses elétrons percorrem o circuito cerca de 600 mil vezes por segundo, gerando uma luz extremamente brilhante, invisível a olho nu, capaz de revelar detalhes minúsculos da matéria.
