Neymar ‘ajuda’ Flávio e tira Bolsomaster do centro das atenções

Neymar participou de live em apoio a Bolsonaro no segundo turno em 2022Reprodução/YouTube 22.10.2022

Recém-convocado para a Copa, Neymar já fez mais pela extrema-direita brasileira hoje do que quando decidiu gravar um vídeo dançando e fazendo o número da legenda do então candidato à reeleição Jair Bolsonaro em 2022.

Sem saber muito como sair das cordas, aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisavam urgentemente de um fato novo para deixar o centro do noticiário. Conseguiram. Por pouco tempo, mas conseguiram.

Nas próximas horas, a presença do atacante santista na lista de Carlo Ancelotti será o prato principal dos assuntos na mesa de jantar. Mesmo que a seleção já não mobilize as emoções como antes, não faltaram aliados de Flávio Bolsonaro pedindo Neymar na Copa pelas redes sociais.

A cerca de 20 dias para o início do Mundial, o chamado “clima da Copa” certamente já ajuda a abafar a novela Bolsomaster. A eleição é logo ali, mas tudo pode ficar pra depois.

Momentaneamente fora das manchetes, Flávio seguirá fingindo que o escândalo não é com ele e cumprindo agenda normalmente. Como se fosse mesmo muito normal um pré-candidato à Presidência pedir dinheiro a um banqueiro investigado para fazer campanha política travestida de cinema. Se é que o dinheiro prometido pelo dono do Banco Master chegou à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”.

Desse novelo, quanto mais fio se puxa, mais lama vem. A última suspeita é que o gestor de um fundo que recebeu recursos de Vorcaro comprou uma bela casa na mesma cidade onde vive Eduardo Bolsonaro (PL). É quando a plateia lembrou de se perguntar como é que o deputado licenciado se banca por lá.

O gestor foi secretário do audiovisual do governo Bolsonaro e sócio do filho Zero Três.

Coisa fina.

A politização forçada e cheia de atalhos proposta pela extrema-direita, com base em jornadas de heroi que não param em pé e de sentimento anti-política (ou anti-sistema) transformou o eleitor médio num ator vigilante que sabe a escalação dos 11 ministros do STF mas desconhece quem atua pela seleção. Mas terá em Neymar um representante da espécie em campo.

Desde que saiu do panteão dos sempre favoritos para a Copa, a seleção já não provoca o espírito do torcedor hibernando que desperta a cada quatro anos.

Neymar já não tem a capacidade de mudar os rumos de uma partida como antes. Mas, ao menos por hoje, será capaz de driblar as atenções da novela favorita dos brasileiros nos últimos dias.

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