Chefe da OMS se diz preocupado com rapidez do surto de ebola

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom GhebreyesusFabio Rodrigues/ Agência Brasil

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta terça-feira que a “magnitude e rapidez” com que o surto de ebola se propaga na República Democrática do Congo são alarmantes, com mais de 500 casos suspeitos e cerca de 130 mortes que se acredita estarem vinculadas à transmissão do vírus.

O chefe da organização anunciou que convocou o Comitê de Emergência, um grupo internacional de especialistas que assessora a OMS e que se reunirá ao longo do dia para formular recomendações para conter esse surto.

No domingo passado, pela primeira vez um diretor da OMS declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional sem ter antes reunido o Comitê de Emergência, o que se tornou possível após as mudanças realizadas no Regulamento Sanitário Internacional depois da pandemia de covid-19 com o objetivo de agilizar as medidas e a coordenação internacional.

“Números vão mudar”

Num pronunciamento em Genebra, Tedros alertou que os números atuais vão mudar à medida que a vigilância sanitária, o rastreamento de casos e os testes laboratoriais forem expandidos.

Os casos foram relatados principalmente em centros urbanos, como Bunia, a capital da província norte-oriental de Ituri (República Democrática do Congo), e na capital de Uganda, Kampala, onde houve dois casos, incluindo uma morte, relacionados com o surto no país vizinho.

Além disso, foram registrados óbitos entre o pessoal médico, o que indica que houve transmissão dentro dos centros de saúde.

O diretor da OMS ressaltou que a gravidade deste surto está relacionada com a forte mobilidade na região, por um lado devido ao conflito armado local, que força a população a se deslocar, bem como pela atividade mineradora, com pessoas que entram e saem, aumentando assim o risco de propagação.

“A província de Ituri é altamente insegura, o conflito se intensificou desde o fim de 2025, e os combates aumentaram fortemente nos últimos dois meses, o que resultou em muitas mortes de civis. Mais de 100 mil pessoas se transformaram em novos deslocados e, no caso de um surto de ebola, sabemos o que isso significa”, assinalou.

A organização global conta com uma equipe em campo que está prestando apoio às autoridades nacionais para responder à situação, além dos insumos e equipamentos que enviou.

A representante da OMS para a República Democrática do Congo, Anne Ancia, afirmou que a vacina erbevo, utilizada contra uma cepa diferente do Ebola, estava entre as que estavam sendo consideradas para um possível uso. Mas, mesmo que essa ou outra seja aprovada, levaria dois meses para ficar disponível.

Vírus bundibugyo

O atual surto epidêmico na República Democrática do Congo tem a particularidade de ser causado pelo vírus bundibugyo, uma variante do vírus do ebola para a qual não existem vacinas nem tratamentos.

Nesta terça-feira, a OMS entregou mais seis toneladas de suprimentos de ajuda médica ao país, incluindo equipamentos de proteção para o pessoal médico.

Diante da incerteza quanto à real extensão do surto, a vigilância, a testagem e o rastreamento de contatos estão sendo ampliados.

md/as (Efe, AFP, Reuters)

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