
Segundo laudo da Polícia Civil, o veado encontrado no dia 15 de abril, em Porto Alegre, no bairro Menino Deus, teria chego à capital após percorrer longa distância e atravessar o Guaíba a nado. Após resgate, o cervo veio a óbito. A investigação foi concluída nesta terça-feira (19) e descarta crime ambiental ou ação humana como parte do quadro que levou o veado a falecer.
A investigação foi conduzida pela Delegacia de Polícia Especializada de Proteção e Defesa do Meio Ambiente e dos Animais (DEMA / DEIC) e usou imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e o laudo da necropsia para chegar à conclusão. O cervo tinha sido encontrado amarrado em uma árvore com ferimentos na rua Almirante Gonçalves e foi encaminhado a equipes veterinárias da Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres (Preservas) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A equipe decidiu pela eutanásia após exames que atestaram agravamento do quadro do cervídeo. Hipóteses sobre como o bicho chegou à capital gaúcha foram levantadas à época, desde fuga de fazendas de caça até possível cativeiro ilegal. Por nota, o delegado Gustavo de Mattos Brentano esclarece que características do cervo indicaram que ele vivia em habitat natural e provavelmente atravessou o Lago Guaíba nadando, vindo de Eldorado do Sul (RS), cidade na região metropolitana de Porto Alegre. Conforme o delegado, os indícios sugeriram bom estado nutricional, ausência de sinais de cativeiro nos cascos, alimentação compatível com ambiente, dando condições físicas para que o veado percorresse longas distâncias. Em relação às lesões , a polícia concluiu que foram causadas por cães urbanos. O óbito, portanto, decorreu de quadro de estresse após cansaço extremo pelo ambiente e pelas fugas de cães.
Relembre o caso
Um veado da espécie Cervus axis foi encontrado ferido na manhã do dia 15 de abril, na Rua Almirante Gonçalves, em Porto Alegre, bairro Menino Deus. O animal teria sido atacado por cães durante a madrugada e foi resgatado por equipe da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (PATRAM) por volta das 08h.
Chamou atenção à época o local em que o animal estava, os ferimentos e ele ter sido amarrado a uma árvore. Encaminhado ao Preservas da UFRGS, o cervo tratava-se de uma fêmea, de 42 quilos, que teve o quadro agravado e acabou passando por eutanásia.
A espécie é exótica, tem origem na Índia e chegou à região após fugir de fazendas de caça da Argentina e do Uruguai na década de 20 e 30. A equipe da Preservas constatou que, na última década, pelo menos três indivíduos da espécie foram parar em Porto Alegre.
As hipóteses de como isso aconteceu eram “difíceis de imaginar” e motivaram investigação da Polícia. O resgate contou com ação da Patrulha Ambiental (PATRAM).
