
Flightradar mostra aproximação das duas aeronaves no aeroporto de Congonhas.
Reprodução/Redes Sociais
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) classificou como “incidente grave” a ocorrência envolvendo um Boeing 737-800 da Gol e um Embraer E195-E2 da Azul no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, no último dia 30 de abril.
O órgão apontou ainda que houve “perda de separação regulamentar”, termo usado quando dois aviões ficam mais próximos do que a distância mínima de segurança (veja mais abaixo).
Um vídeo registrado pelo canal do Youtube Golf Oscar Romeo mostra o momento em que o avião da Gol arremeteu enquanto o avião da Azul decolava. Também é possível ouvir o pedido do controlador da torre para que o piloto da Azul abortasse a decolagem, o que não ocorreu.
De acordo com o reporte preliminar divulgado pelo Cenipa no Painel Sipaer, sistema oficial que reúne dados preliminares sobre ocorrências aeronáuticas, o caso ocorreu às 11h33 de 30 de abril, durante a aproximação para pouso de um avião da Gol que vinha de Salvador com destino a Congonhas.
No mesmo momento, uma aeronave da Azul estava posicionada na pista e havia recebido autorização para decolagem rumo a Belo Horizonte (MG).
O documento aponta que a autorização de decolagem foi posteriormente cancelada pelo controle de tráfego aéreo. Ainda assim, durante a execução do procedimento de arremetida da aeronave da Gol, ocorreu a “perda de separação regulamentar” entre os dois aviões.
🔍Perda de separação é quando duas aeronaves ficam mais próximas do que a distância mínima de segurança estabelecida pelas regras do Controle de Tráfego Aéreo. Essas distâncias mínimas — que podem ser verticais, laterais ou por tempo — existem para evitar colisões tanto no ar quanto no solo e organizar o fluxo de voos dentro de um espaço aéreo. Quando esse limite é ultrapassado, considera-se que houve justamente a perda de separação.
Movimento nas salas de embarque do Aeroporto de Congonhas
Paulo Pinto/Agência Brasil
Segundo o Cenipa, o controle de tráfego aéreo determinou uma manobra evasiva para a aeronave que arremeteu e, na sequência, a separação entre os aviões foi restabelecida.
No caso, manobra evasiva é uma ação imediata determinada pelo controle de tráfego aéreo ou pelos próprios sistemas de segurança das aeronaves para aumentar rapidamente a distância entre dois aviões e evitar risco de colisão. Na prática, pode ser uma mudança de direção, altitude ou velocidade.
O relatório preliminar aponta ainda que nenhuma das aeronaves sofreu danos e não houve feridos. A investigação segue em andamento com os aviões liberados.
Incidente entre aviões em Congonhas repercute em canais estrangeiros especializados
O que dizem as companhias aéreas
Ao g1, a Azul informou que o voo AD6408 (Congonhas-Confins) seguiu os procedimentos operacionais previstos para a decolagem do aeroporto paulistano.
“A Companhia reforça que a segurança é seu valor primordial, e que as suas operações são conduzidas de acordo com protocolos e regulamentações vigentes. A Azul está à disposição para colaborar com o Cenipa – Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, que está apurando o ocorrido”.
Já a Gol disse que o pouso do voo G3 1629 no Aeroporto de Congonhas (CGH) ocorreu em segurança, dentro do horário programado. “A Companhia está colaborando integralmente com o CENIPA na apuração do fato”.
A concessionária Aena, que administra o aeroporto, disse que informações sobre o caso devem ser verificadas com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, da Força Aérea Brasileira.
O que diz a Força Aérea Brasileira
Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cecipa), disse que investigadores do Centro foram acionados para realizar a ação inicial da ocorrência envolvendo duas aeronaves, um Embraer 195-E2 da Azul Linhas Aéreas e um Boeing 737-800 da GOL Linhas Aéreas, no Aeroporto de Congonhas (SP).
“Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação”, disse a FAB.
Fachada da entrada do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo.
Divulgação/Infraero
