Um novo e extenso estudo geofísico de altíssima complexidade revela a anomalia assustadora de que o núcleo interno de ferro sólido da Terra pode ter simplesmente parado de girar e até mesmo invertido a sua direção de rotação habitual, levantando uma série sem precedentes de dúvidas cruciais entre os maiores cientistas do mundo sobre como essa alteração drástica poderá afetar o nosso dia a dia na superfície terrestre

A Terra esconde uma esfera sólida de ferro e níquel a mais de 5.000 quilômetros abaixo da superfície, e ela parece ter mudado seu ritmo em relação ao restante do planeta. O fenômeno envolve o núcleo interno, detectado por meio de ondas sísmicas de terremotos registrados ao longo de décadas, mas não indica uma catástrofe iminente.

O que aconteceu com o núcleo interno da Terra?

O núcleo interno da Terra não parou de girar de forma literal. Ele continua acompanhando a rotação do planeta, mas sua rotação diferencial, ou seja, a pequena diferença entre o movimento do núcleo e o da crosta terrestre, mudou de comportamento.

O que chamou a atenção dos sismólogos foi a desaceleração progressiva dessa esfera metálica. Desde os anos 1970, o núcleo interno parecia girar ligeiramente mais rápido que a superfície, mas por volta de 2009 e 2010 entrou em sincronia relativa com o restante do planeta.

Camadas da Terra mostram núcleo quase sincronizado com a crosta

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Como os cientistas estudam algo tão profundo dentro da Terra?

Como nenhuma broca consegue alcançar o núcleo interno, os pesquisadores analisam ondas sísmicas geradas por terremotos. Esses sinais atravessam diferentes camadas da Terra e chegam a estações sismológicas com pequenas variações que funcionam como uma espécie de tomografia do interior do planeta.

Em janeiro de 2023, os sismólogos Yi Yang e Xiaodong Song, da Universidade de Pequim, publicaram uma análise na Nature Geoscience usando registros sísmicos desde a década de 1960. A conclusão foi que o padrão de rotação do núcleo havia mudado de maneira compatível com uma oscilação natural de longo prazo.

Ondas sísmicas atravessam a Terra e revelam o núcleo interno

Qual estudo confirmou a desaceleração do núcleo da Terra?

Em junho de 2024, uma equipe da Universidade do Sul da Califórnia aprofundou a análise com dados de 121 terremotos repetidos nas Ilhas Sandwich do Sul, registrados entre 1991 e 2023. De acordo com a USC, os resultados confirmam que o núcleo interno começou a desacelerar por volta de 2010.

O estudo disponível no PMC descreve esse comportamento como uma desaceleração em relação à crosta terrestre. Isso significa que o núcleo interno passou a se mover mais lentamente do que a superfície pela primeira vez em aproximadamente 40 anos.

O núcleo da Terra realmente inverteu a rotação?

A expressão “girando para trás” pode confundir, porque descreve uma comparação relativa, não uma inversão física absoluta. O núcleo interno parece recuar quando comparado à crosta, mas isso não significa que ele tenha começado a rodar em sentido contrário no espaço.

Para separar o fenômeno real do exagero, os pontos centrais são estes:

  • O núcleo interno não parou de girar, pois continua se movendo junto com o restante da Terra.
  • A mudança envolve rotação diferencial, uma diferença muito pequena entre o ritmo do núcleo e o da superfície.
  • A sincronia apareceu por volta de 2009 e 2010, quando os sinais sísmicos passaram a mostrar pouca variação.
  • A aparente reversão é relativa, porque o núcleo ficou mais lento do que a crosta terrestre.
  • O fenômeno não representa risco imediato para a vida humana, o clima ou a tectônica de placas.

Por que essa mudança na Terra pode fazer parte de um ciclo natural?

Os pesquisadores da Universidade de Pequim interpretam o fenômeno como parte de uma oscilação de aproximadamente 70 anos. Nesse ciclo, o núcleo interno acelera, desacelera, entra em sincronia relativa com o manto, recua levemente e volta a acelerar.

Uma mudança semelhante teria ocorrido no início dos anos 1970. Se esse padrão estiver correto, a próxima virada importante pode ocorrer por volta de meados da década de 2040, mantendo a ideia de um processo geofísico recorrente, e não de uma ruptura inesperada no funcionamento do planeta.

Para visualizar melhor como os sismólogos interpretam esses sinais, o canal SpaceToday, com 2,31 milhões de inscritos, explica a relação entre terremotos, ondas sísmicas, rotação diferencial do núcleo e possíveis efeitos sutis no campo magnético e na duração dos dias:

A mudança no núcleo da Terra afeta o dia a dia?

Os efeitos para quem vive na superfície são reais, mas extremamente sutis. A variação na rotação diferencial do núcleo interno pode estar associada a pequenas flutuações na duração do dia terrestre, na ordem de milissegundos, algo imperceptível sem instrumentos científicos.

Outro ponto envolve o campo magnético da Terra, gerado principalmente pelo movimento do núcleo externo líquido. Mudanças profundas no interior do planeta podem se relacionar a variações lentas nesse sistema, relevantes para navegação por satélite, modelos magnéticos e monitoramento geofísico de longo prazo.

O interior da Terra mostra um planeta em movimento contínuo

A desaceleração do núcleo interno não aponta para um colapso, mas para a complexidade de um planeta ativo até nas regiões que nunca poderemos observar diretamente. A Terra funciona como um sistema dinâmico, em que camadas profundas, campo magnético e rotação se conectam em escalas difíceis de perceber no cotidiano.

O dado mais importante não é imaginar um núcleo parado, mas entender que até mudanças minúsculas a 5.000 quilômetros de profundidade deixam sinais mensuráveis na superfície. O fenômeno mostra que o planeta continua revelando movimentos silenciosos muito abaixo dos nossos pés.

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