O porta-aviões USS Enterprise, também conhecido como CVN-65, mudou a história naval ao entrar em serviço com propulsão nuclear em 25 de novembro de 1961. Construído pela Newport News Shipbuilding, ele mostrou que um navio de guerra poderia navegar por longos períodos sem depender de combustível convencional para mover seus motores.
Por que o porta-aviões USS Enterprise mudou a guerra naval?
O USS Enterprise foi o primeiro porta-aviões nuclear do mundo e abriu uma nova fase na projeção de poder marítimo dos Estados Unidos. Sem chaminés tradicionais e sem óleo combustível para propulsão, o navio podia permanecer no mar por períodos muito maiores do que porta-aviões convencionais.
Segundo a página técnica da Federation of American Scientists sobre o CVN-65, o Enterprise combinava propulsão nuclear, grande ala aérea embarcada e estrutura de operação contínua em escala global.

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Quais números explicam o tamanho do porta-aviões Enterprise?
O apelido Big E não surgiu por acaso. No momento do comissionamento, o USS Enterprise era o maior navio de guerra já construído, com estrutura suficiente para operar dezenas de aeronaves, milhares de tripulantes e quatro catapultas a vapor no convés de voo.
A ficha técnica abaixo reúne os dados que ajudam a dimensionar o tamanho, a propulsão e a capacidade embarcada do primeiro porta-aviões nuclear do planeta:
| Especificação | Valor verificado |
|---|---|
| Comprimento | 342,3 metros |
| Largura do convés de voo | 78,4 metros |
| Deslocamento em plena carga | 93.500 toneladas |
| Propulsão | 8 reatores nucleares A2W |
| Potência total | 280.000 shp, cerca de 210 MW |
| Velocidade máxima | Mais de 30 nós, cerca de 56 quilômetros por hora |
| Aeronaves embarcadas | Até 90, normalmente cerca de 70 em serviço |
| Tripulação máxima | 5.828 pessoas, somando navio e ala aérea |
Como funcionavam os oito reatores do porta-aviões?
A característica mais marcante do Enterprise era o conjunto de oito reatores nucleares A2W, construídos pela Westinghouse Electric. Eles ficavam distribuídos em quatro compartimentos de máquinas, com dois reatores em cada seção, garantindo redundância em uma embarcação de dimensões incomuns.
De acordo com a página dedicada ao USS Enterprise CVN-65, o navio foi comissionado em 1961 e descomissionado em 3 de fevereiro de 2017, depois de mais de cinco décadas ligado à história naval americana.
A autonomia nuclear, porém, precisa ser entendida com precisão. Ela se aplicava à propulsão, não à operação logística completa, já que o navio continuava precisando de combustível de aviação, alimentos, munições, peças e manutenção regular.

O porta-aviões realmente lançava centenas de caças por dia?
A ideia de que o porta-aviões lançava “centenas de caças” todos os dias precisa de ajuste técnico. Em operações de alta intensidade, o Enterprise podia executar cerca de 100 a 160 sortidas por dia, considerando a ala aérea como um todo, não apenas caças de ataque isolados.
A composição típica da ala aérea incluía caças, aeronaves de guerra eletrônica, alerta aéreo avançado, guerra antissubmarino e helicópteros. A operação dependia menos de um número absoluto de caças e mais da integração entre convés, catapultas, combustível, manutenção, pilotos e controle aéreo.
Para contextualizar a história do CVN-65, o canal War Machine, com 38,5 mil inscritos, apresenta a trajetória do USS Enterprise, seus oito reatores, a Operação Sea Orbit, a atuação na Guerra do Vietnã e o legado do primeiro porta-aviões nuclear:
Por que a ilha quadrada do Enterprise se tornou tão reconhecível?
O USS Enterprise entrou em serviço com uma superestrutura de formato quadrado, diferente de outros porta-aviões americanos. Essa “ilha” abrigava o sistema SCANFAR, formado pelos radares de antena em fase AN/SPS-32 e AN/SPS-33.
O sistema era avançado para a época, mas complexo e caro de manter. Durante a revisão realizada entre 1979 e 1982, o SCANFAR foi removido, e o navio passou a usar radares convencionais, perdendo parte da silhueta que o tornava imediatamente reconhecível.
Quais operações marcaram os 51 anos do porta-aviões?
Ao longo de 51 anos de serviço ativo, o Enterprise participou de episódios centrais da história naval americana. Ele esteve no Bloqueio Naval de Cuba, em 1962, e integrou a Task Force One na primeira circum-navegação global feita por navios nucleares, em 1964.
O navio também atuou na Guerra do Vietnã, no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro, no Iraque e em desdobramentos no Golfo Pérsico. Em 1969, uma explosão acidental no convés causou 27 mortes e 314 feridos, um dos episódios mais graves de sua trajetória operacional.
O destino final do Enterprise marca uma desmontagem inédita
Em junho de 2025, a Marinha dos Estados Unidos assinou um contrato de US$ 536,7 milhões com a NorthStar Maritime Dismantlement Services para a desmontagem completa do Enterprise em Mobile, no Alabama. A conclusão está prevista para novembro de 2029.
O fim do porta-aviões é tão simbólico quanto sua entrada em serviço. O mesmo navio que inaugurou a era nuclear dos porta-aviões agora abre caminho para um processo complexo de desmontagem, descarte controlado e encerramento material de uma fase da tecnologia naval.
O post O primeiro porta-aviões movido a energia nuclear do mundo representou um salto tecnológico tão grande que possuía oito reatores fornecendo energia ilimitada para navegar pelos oceanos do globo durante anos ininterruptos, lançando centenas de caças de ataque diariamente sem jamais precisar parar em um porto para reabastecer combustível apareceu primeiro em BM&C NEWS.
