A cidade de Atlântida voltou ao centro do debate após novas imagens submarinas perto de Cádiz, no sul da Espanha. O material reacende a imaginação, mas o ponto mais importante é outro: embora existam estruturas e paisagens submersas sendo investigadas, a ciência ainda não considera comprovada a existência literal da lendária cidade descrita por Platão.
O que teria sido encontrado perto da cidade de Cádiz?
Em julho de 2025, o arqueólogo Michael Donnellan apresentou, na Cosmic Summit 2025, resultados de oito anos de pesquisa em águas próximas à costa de Cádiz, a oeste do Estreito de Gibraltar. Segundo reportagem do AS, a equipe realizou mais de 20 mergulhos e usou sonar e LiDAR para mapear o leito marinho da região.
Os elementos descritos por Donnellan chamaram atenção porque lembram, em parte, a narrativa clássica sobre uma grande cidade perdida. Entre os pontos apresentados, estão:
- Três muros concêntricos submersos, com mais de seis metros de altura, esculpidos no fundo do mar.
- Canais artificiais, que teriam sido entalhados na rocha.
- Blocos retangulares de pedra cortada, com tamanho comparável à meia carroceria de um carro pequeno.
- Uma ruína retangular central, associada por Donnellan a um possível Templo de Posêidon.

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Por que a cidade de Atlântida ainda não foi comprovada?
O próprio texto precisa ser lido com cautela, porque a existência da cidade de Atlântida não foi demonstrada por evidência arqueológica robusta. O problema não está em investigar o fundo do mar, mas em transformar uma hipótese visualmente sugestiva em confirmação histórica antes de passar pelo crivo normal da pesquisa científica.
Em matéria reproduzida pela AOL, o debate reaparece justamente por causa dessa tensão entre fascínio público e validação científica. Donnellan apresentou as imagens em uma conferência, e não em um periódico com revisão por pares, o que impede tratar o material como prova aceita pelo consenso acadêmico.
Quais críticas a ciência faz à hipótese dessa cidade submersa?
A principal crítica é que formas geométricas no fundo do mar nem sempre são obras humanas. Estruturas vistas em sonar podem ter origem natural, como fraturas geológicas, blocos deslocados e relevos esculpidos por processos tectônicos ou erosivos.
Esse ceticismo não é teórico. Ele surge de casos anteriores em que formações marinhas pareciam artificiais à primeira vista, mas depois se revelaram naturais. No caso atual, as objeções mais fortes giram em torno destes pontos:
- As estruturas podem ser geológicas, e não arquitetônicas, mesmo quando exibem linhas e padrões regulares.
- A apresentação ocorreu fora de um periódico científico, sem revisão por pares no formato tradicional da arqueologia.
- A hipótese de Cádiz não é nova, porque a região já foi associada a Atlântida em investigações anteriores, sem confirmação posterior.
- A maioria dos historiadores e arqueólogos continua tratando Atlântida como uma alegoria filosófica criada por Platão.
O que existe de real por trás da cidade de Atlântida?
O que a ciência confirma sem grande controvérsia é que terras habitáveis foram submersas ao fim da última glaciação. Com a elevação do nível do mar após a Idade do Gelo, várias paisagens costeiras desapareceram, o que ajuda a explicar por que histórias sobre uma cidade engolida pelas águas continuam tão poderosas.
Um caso frequentemente citado é o da ilha de Spartel, identificada em 2001 pelo arqueólogo Jacques Collina-Girard, da Universidade do Mediterrâneo. Ela teria existido no Estreito de Gibraltar e sido submersa há cerca de 11 mil anos, período próximo ao citado por Platão, mas sem qualquer evidência de uma civilização avançada como a do mito.
Para ampliar esse contexto, o canal Olhar Digital, com 963 mil inscritos, reuniu em vídeo outra investigação espanhola sobre ilhas submersas próximas de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, mostrando como descobertas reais no fundo do mar podem alimentar a lenda sem comprovar a cidade descrita por Platão:
Como o novo achado se relaciona com a cidade mítica descrita por Platão?
O ponto de contato está menos na prova e mais na coincidência narrativa. Platão situou Atlântida além do Estreito de Gibraltar, e a área de Cádiz fica justamente nessa faixa do Atlântico oriental, o que faz qualquer estrutura submersa na região atrair atenção imediata.
Ao mesmo tempo, o material citado no embed mostra um limite importante. As ilhas mapeadas perto de Lanzarote foram habitáveis no Eoceno, entre 56 milhões e 34 milhões de anos atrás, muito antes do surgimento humano. Isso ajuda a separar duas coisas que costumam se misturar: uma paisagem submersa pode ser real, e ainda assim não ter relação alguma com a lendária cidade de Atlântida.

A busca pela cidade de Atlântida continua entre arqueologia e mito
A força dessa história está justamente no encontro entre imaginação antiga e tecnologia moderna. Cada varredura de sonar, cada mapa em LiDAR e cada ruína no fundo do mar renovam a possibilidade de descobrir algo importante sobre antigas paisagens costeiras da Europa.
Mas a prudência continua sendo a parte mais séria dessa busca. Por enquanto, a investigação perto de Cádiz adiciona mais perguntas ao debate, não uma confirmação definitiva de que a lendária cidade de Atlântida realmente existiu.
O post Pesquisadores encontram evidências físicas de que a misteriosa cidade de Atlântida realmente existiu na costa ocidental da Europa apareceu primeiro em BM&C NEWS.
